sexta-feira, 18 de março de 2016

Garotada do Botafogo é responsável por quase 50% dos pontos no Carioca


Gols de Luís Henrique, Gegê, Emerson, Fernandes e Ribamar já garantiram três vitórias e dois empates que mantiveram a invencibilidade do Alvinegro no estadual






Jefferson, Luis Ricardo, Salgueiro? Que nada. Os líderes do elenco do Botafogo estão tendo que tirar o chapéu para a garotada, que vem fazendo bonito no Campeonato Carioca. Dos 23 pontos do time até agora, os jovens foram diretamente responsáveis por 11, quase metade da surpreendente campanha de 85,1% de aproveitamento. Gols de Luís Henrique (18 anos), Gegê (22), Emerson (20), Fernandes (21) e Ribamar (18) garantiram três vitórias e dois empates que mantiveram a invencibilidade do Alvinegro no estadual (veja todos no vídeo acima) - junto com o Vasco, são os únicos que ainda não perderam na competição.

Pontos obtidos pelos jovens:

13/02 - Luís Henrique 1x0 Resende
24/02 - Gegê e Ribamar 2x0 Flu
28/02 - Emerson Santos - 1x1 Vasco
06/03 - Fernandes - 1x0 Boavista
13/03 - Ribamar - 1x1 Fluminense


Atualmente na reserva, Luís Henrique já marcou dois gols neste Carioca, sendo um o da vitória sobre o Resende na 4ª rodada. Na 6ª, foi a vez de Gegê e Ribamar garantirem os três pontos diante do Fluminense. Na rodada seguinte, Emerson evitou uma derrota para o Vasco com um golaço de falta aos 42 minutos do segundo tempo. Já classificado e cumprindo tabela na última rodada da primeira fase, o Botafogo escalou um time formado na maioria por reservas, e Fernandes, que era titular no ano passado e busca recuperar espaço na equipe, fez o único gol do triunfo para cima do Boavista. E no segundo Clássico Vovô de 2016, válido pela estreia da Taça Guanabara, Ribamar voltou a balançar a rede, e o time só não saiu ganhando porque levou o empate no fim.

Enquanto não chegam os "cascudos", Ribamar e Luís Henrique têm dado conta (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Prova da grande esperança do clube nos garotos são as recentes renovações de contrato. No fim do ano passado, a diretoria prorrogou os vínculos de Emerson e Jean até o fim de 2017, e de Fernandes até o final de 2018. Só esse ano, já renovaram com seis: Diego (31/12/2017), Marcinho (31/12/2018), Leandrinho (31/12/2018), Dierson (31/12/2017), Sassá (31/12/2017) e Ribamar (31/12/2018). O próximo deve ser Luís Henrique. Dirigentes já começaram as conversas preliminares com o atacante, que completou 18 anos na última quinta-feira.

Eles estão amadurecendo durante a competição, para as finais vão chegar mais maduros. Não pode jogar tanto a responsabilidade nas costas deles"
Jefferson, goleiro do Botafogo


Os garotos alvinegros que foram inscritos no estadual são: Saulo, Diego, Octávio, Emerson, Marcinho, Igor Rabello, Jean, Leandrinho, Ribamar, Lucas Zen, Diérson, Fernandes, Gegê e Luís Henrique. Capitão e referência da equipe, Jefferson elogiou a maturidade pela qual os jovens têm passado e acredita que eles ainda irão evoluir ainda mais na reta final do Carioca. Porém, o goleiro admite que jogadores mais cascudos serão importantes para o Campeonato Brasileiro.


- Eles estão amadurecendo durante a competição, para as finais vão chegar mais maduros. Não pode jogar tanto a responsabilidade nas costas deles. A diretoria falou que está em busca de outros jogadores para o Brasileiro - frisou o goleiro, em entrevista coletiva da última terça-feira.


Sem contar o quarto goleiro, posição em que o clube tem promovido um revezamento com jogadores da base, o Botafogo chegou a ter 17 pratas da casa no elenco principal. Mas o volante Matheus Fernandes e o lateral-esquerdo Victor Lindenberg voltaram aos juniores, e Sassá, ainda se recuperando de uma grave lesão no joelho esquerdo, ficou fora da lista do Carioca. Mais do que uma casualidade de "safra", o número é fruto de uma política de valorização dos jovens aliada à crise financeira atual, que impede a diretoria de fazer grandes investimentos em nomes badalados. Além disso, retoma uma antiga tradição do Alvinegro de formar jogadores, muito presente nas primeiras décadas da segunda metade do século passado.


Por Matheus Palmieri* e Thiago Lima/Rio de Janeiro/GE
*Estagiário, sob supervisão de Thiago Lima