sábado, 12 de março de 2016

Gegê empina carreira no Bota e passa cerol nas críticas: "Agora é minha hora"


Fã de pipa, meia dá linha em boa fase no Alvinegro, corta os gringos na concorrência pela camisa 10 e apara para si renovação de contrato: "O meu desejo é permanecer"



Empinar, cortar, aparar, avoar, dar linha, passar o cerol... Expressões comuns na brincadeira de soltar pipa representadas por Gegê nos campos de futebol. Um dos poucos jogadores adeptos do hobby na era dos jogos eletrônicos, o camisa 10 do Botafogo levantou voo no profissional aos 19 anos, ao lado da estrela Seedorf. Mas não resistiu às tempestades dos momentos de crise do Alvinegro, incluindo um rebaixamento para a Segunda Divisão nacional, e quase acabou cortado do clube. Mais maduro aos 22, o meia, artilheiro do time de Ricardo Gomes em 2016 com três gols, volta a empinar a carreira, passa o cerol nas críticas e concorrência e dá linha à boa fase.

Laje, pipa no alto, sol e muito vento: cenário de terapia para Gegê fora da rotina do futebol (Foto: André Durão)

Da laje da casa dos pais em Oswaldo Cruz, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, onde mora com a família, Gegê usa a pipa como terapia. Seja para esquecer dos problemas, para se divertir com os amigos ou simplesmente para distrair a cabeça do dia a dia do futebol.


- Ah, quando estou em casa e tem pipa no alto eu vou para a laje soltar pipa (risos). Gosto bastante, é uma forma para me distrair. Desde criança fui criado assim, jogando bola, soltando pipa na rua... É bom fazer outras coisas para dar uma relaxada, porque ficar só focado ali não é bom, não acho que seja correto. Tem que distrair um pouco - contou o meia, que costuma ganhar pipas do amigo Rodrigo Souto, volante ex-Botafogo e atualmente na Penapolense-SP.


No voo de Gegê, o próximo passo é aparar a renovação, que paira no ar neste momento. Seu desejo é seguir em General Severiano, e a proposta do clube por um contrato até o fim de 2017 é visto como um reconhecimento depois de uma temporada em que pouco entrou em campo. Cenário completamente diferente de agora, em que venceu a concorrência de gringos mais renomados e experientes pela camisa 10 alvinegra.

- Para mim é gratificante. Eu acho que é um reconhecimento, fico feliz de poder estar jogando esse ano, coisa que não aconteceu frequentemente o ano passado. A família foi bastante importante, pessoal sempre me apoiou, meu irmão, minha namorada, minha cunhada e os meus amigos. As coisas só acontecem no momento certo, esse ano elas estão acontecendo. Deus tem hora para tudo, e agora é a minha! - afirmou


Confira a entrevista completa com Gegê:


GloboEsporte.com: vamos começar falando de renovação, afinal o Airton já acertou a dele. E como está a sua situação?


Gegê: Eu conversei com o meu empresário, e ele está conversando com os caras lá. Vamos ver, tomara que dê tudo certo. Eu estou tentando focar mais em campo, que é o mais importante. Fora de campo as coisas vão acontecer naturalmente.


Mas você participa dessas reuniões com o Botafogo ou é só seu empresário?

Por enquanto é só ele. Eu não fui a nenhuma reunião. É mais ele e a diretoria. Eu também prefiro evitar um pouco, só gosto de ir quando as coisas estiverem já acertadas. Quero estar focado em campo para desempenhar um bom futebol.


Lá no treino já vi torcedor cobrando sua renovação (veja aqui). Como você lida com isso?

Normal, encaro naturalmente. Espero que dê tudo certo. O meu desejo é permanecer.

Jogar bola na rua também fazia parte do dia a dia antes de virar começar a carreira no Botafogo (Foto: André Durão)

Depois de um ano difícil em 2015, ter essa proposta de renovação (veja aqui) é um reconhecimento para você?

Para mim é gratificante. Eu acho que é um reconhecimento, fico feliz de poder estar jogando esse ano, coisa que não aconteceu frequentemente o ano passado. A família foi bastante importante, pessoal sempre me apoiou, meu irmão, minha namorada, minha cunhada e os meus amigos. As coisas só acontecem no momento certo, esse ano elas estão acontecendo. Deus tem hora para tudo, e agora é a minha hora.


Ano passado você teve sondagens do Paysandu e do Figueirense. Chegou a ficar perto de sair do Botafogo?

Cheguei a estar muito perto de sair e fiquei até treinando um pouco separado devido às negociações. Mas acabou não dando certo e optei por ficar.


Você e o Airton estão sempre juntos em campo, no aquecimento, na concentração... Já era assim antes, ou foi coincidência pelo fato de terem sido os últimos a definir a permanência em General Severiano de 2015 para 2016?

Rapaz, desde 2014 que a gente costuma concentrar juntos. Então a gente criou uma amizade muito boa, somos grandes amigos. Fico muito feliz de as coisas estarem acontecendo para ele.


Falando desse time do Botafogo que está surpreendendo muita gente. Após fazer a melhor campanha da primeira fase, bate uma frustração por não ter vantagem nenhuma?


Os caras foram explicar lá para a gente o regulamento, eu não entendi um pouco. Porque a gente está fazendo uma campanha muito boa, e o campeonato só vai começar a valer agora. Então inicia do zero de novo, não adiantou de nada o passado. É botar a cabeça no futuro e fazer uma grande campanha novamente.

Sem planos de morar sozinho por ora, Gegê vive com
os pais e conta com o apoio da família para superar
as adversidades da carreira (Foto: André Durão)
Acha que o Botafogo é favorito ao título por ter feito a melhor campanha?

Não, não... A gente tem que trabalhar muito, mostrar muito ainda durante a competição para chegar lá no final e poder brigar pelo título.


Vieram três gringos candidatos à camisa 10: primeiro foi o Lizio, depois o Gervasio "Yaca" Núñez e por último o Salgueiro. Mas você que tem sido o dono dela...

Graças a Deus as coisas esse ano estão acontecendo, estou podendo ajudar bastante. Os gringos chegaram, são grandes jogadores, e essa concorrência ajuda um pouco. Ajuda a gente a manter sempre o foco, o trabalho, só quem tem a ganhar é o Botafogo. Com certeza vai ser uma briga muito boa.


Você é o artilheiro do time no ano com três gols, mas antes disso teve uma reunião de membros de organizadas com a diretoria onde eles pediam a saída de alguns jogadores, entre eles você (veja aqui). Como reagiu a isso?

Eu não fiquei muito feliz, acho que nenhum jogador ficaria feliz. Mas a torcida tem seu lado, naquele momento eles queriam isso. A gente tem que encarar com naturalidade, trabalhar e buscar melhorar as coisas. Estou no caminho certo.


Chegou a pegar isso como motivação?

Com certeza foi uma motivação a mais. Espero que eu possa continuar com esse foco e trabalho para que isso não se repita.


Acha que está em sua melhor fase no Botafogo?

Acho que sim. Estou tendo uma sequência muito boa, fazendo jogos bons. Mas espero melhorar ainda mais. Eu subi em 2013 com o professor Oswaldo (de Oliveira), aprendi bastante com ele. Acho que aquele ano foi bastante importante para mim, para o primeiro (no profissional) foi um bom ano. Joguei Brasileiro, fiz dois gols e fui amadurecendo. Nos dois anos seguintes não tive o mesmo empenho, mas foi para amadurecer. Deus sabe de todas as coisas. Esse ano estou mais maduro, tranquilo.


Acredita que já reconquistou a torcida?

Cara, não sei... Tento ficar evitando pensar nisso, focar só no jogo que isso vai acontecer naturalmente. O torcedor quer o melhor para o Botafogo, e eu também. Nós temos o mesmo objetivo. Espero que a gente possa estar junto apoiando, correndo, para que dê tudo certo.

Meia tem coleção de pipa guardada e costuma ganhar outras do amigo Rodrigo Souto, ex-Botafogo (Foto: André Durão)

Nos treinos a gente só vê as pessoas te incentivando...

Ali em General (Severiano) eu costumo receber bastante carinho, eles me apoiam bastante.


E aqui em Oswaldo Cruz, como é ao andar na rua?

Eu não sou muito reconhecido na rua, procuro andar normalmente. Algumas pessoas conhecem, às vezes no shopping e tal, e dão uma cobradinha (risos): "Tem que jogar, fazer gol"... Coisa que é natural.


E o que você costuma fazer nos momentos de lazer aqui no bairro?


Ah, quando estou em casa e tem pipa no alto eu vou para a laje soltar pipa (risos). Gosto bastante, é uma forma para me distrair. Desde criança fui criado assim, jogando bola, soltando pipa na rua...


Acaba sendo uma terapia para tirar a cabeça do futebol?

Com certeza ajuda. É bom fazer outras coisas para dar uma relaxada, porque ficar só focado ali não é bom, não acho que seja correto. Tem que distrair um pouco.

Por Thiago Lima/Rio de Janeiro/GE