quinta-feira, 3 de março de 2016

Perto da CND, Bota mantém conversa com a Caixa; Vasco está mais distante


Rival e banco vivem impasse por renovação de patrocínio, e estatal pode investir em outro clube. Com camisa "limpa" há um ano, Alvinegro é um dos interessados





Carlos Eduardo Pereira ainda mantém conversas com
 pessoas dentro da Caixa (Foto: Vitor Silva / SSpress)
Carlos Eduardo Pereira ainda mantém conversas com pessoas dentro da Caixa (Foto: Vitor Silva / SSpress)

De olho no mercado por reforços para o Campeonato Brasileiro, o Botafogo também tenta captar investidores em um cenário de crise no país. E um possível parceiro pode voltar à pauta: a Caixa Econômica Federal. Apesar de o banco ter anunciado em janeiro um montante de R$ 83 milhões em patrocínios para a temporada e fechado as portas para clubes que não estavam em sua relação, uma vaga para um eventual patrocínio pode ser aberta em breve no lugar do Vasco. O GloboEsporte.com apurou que as negociações para a renovação de contrato entre Cruz-Maltino e estatal estão estagnadas - o conflito entre o valor oferecido, de R$ 7.5 milhões, e o desejado é grande e tem provocado pessimismo em São Januário. Recentemente, o Corinthians também encerrou seu vínculo com a empresa.


Em meio ao impasse e cada vez mais perto de obter as Certidões Negativas de Débito (CNDs) - necessárias para fechar patrocínio com a Caixa, por exemplo -, o Botafogo observa o cenário. O presidente Carlos Eduardo Pereira tem contatos com pessoas dentro da estatal e jamais jogou a toalha, mesmo na época em que o Alvinegro estava fora do anúncio dos clubes que seriam patrocinados em 2016. Questionado se mantém conversas com o banco, o mandatário confirmou, porém, não quis dar detalhes.


- Claro, com certeza. Mas não vou detalhar o que estamos conversando.


A prioridade da Caixa foi manter os contratos que já existiam e entrar no mercado de Minas Gerais. Os atuais patrocínios da estatal são do Flamengo (R$ 25 milhões), Cruzeiro (R$ 12,5 milhões), Atlético-MG (R$ 12,5 milhões), Sport (R$ 6 milhões), Vitória (R$ 6 milhões), Atlético-PR (R$ 6 milhões), Coritiba (R$ 6 milhões), Chapecoense (R$ 4 milhões), Figueirense (R$ 4 milhões) e CRB (R$ 1 milhão). O Corinthians recebia R$ 30 milhões.


Além de precisar das CNDs para este tipo de patrocínio, o Botafogo necessita delas também para disputar competições oficias no Brasil desde que a MP do Futebol foi sancionada em agosto do ano passado. Para ser inscrito no Carioca, o Alvinegro entrou com um mandado de segurança que permitiu sua regularização no estadual até o momento, mas o prazo terminou no último domingo, e as certidões ainda não foram obtidas. Com isso, o clube vai ser julgado na tarde desta quinta-feira pelo TJD-RJ ao lado de América, Bangu, Bonsucesso e Cabofriense, que estão na mesma situação. Questionado se o julgamento preocupa, o presidente negou, mas evitou dar prazo para solucionar a questão em definitivo.


- Absolutamente nada, está tudo de acordo com a lei. Estamos preferindo não fazer previsão (para obtenção das CNDs), mas é só burocracia - garantiu.


Embora esteja sem patrocinador master há um ano e em dificuldade financeira, o Botafogo vem conseguindo nos últimos meses honrar os seus compromissos com a liberação das cotas referentes aos direitos de transmissão da televisão. Tanto que, na última sexta-feira, pagou antecipadamente os salários de fevereiro aos jogadores e funcionários, e nesta semana quitou a dívida com quem participou da campanha do título da Série B do Campeonato Brasileiro e já havia deixado o clube. Acertar o débito com ex-atletas é mais um passo para se obter as CNDs.


Por Thiago Lima/Rio de Janeiro/GE