terça-feira, 15 de março de 2016

Raio-X das substituições: Botafogo de Ricardo fez mais gols após 3ª alteração


Em 32 jogos com o técnico, Alvinegro estufou a rede 10 vezes depois de três trocas. Quando usou duas, marcou cinco, e com uma, nove. Contra Flu, havia última mexida





O gol de Gum, sofrido no minuto final do Clássico Vovô do último domingo, definiu o empate por 1 a 1 e impediu qualquer chance de reação do Botafogo no Raulino de Oliveira. Superior ao Fluminense em toda a partida, o Alvinegro desperdiçou chances de ampliar a vantagem e matar o jogo, mas aparentou sentir o desgaste e diminuiu o ritmo no segundo tempo. Ricardo Gomes tentou dar mais velocidade com a entrada de Neilton aos 17 minutos da etapa complementar e depois só foi mexer de novo aos 44, para colocar Fernandes pouco antes de Jefferson ter a rede estufada. Em 32 partidas à frente da equipe, foi apenas a segunda vez em que o treinador não utilizou todas as três alterações a que tem direito pela regra - antes, havia feito o mesmo na vitória por 2 a 0 sobre o próprio Tricolor, no duelo em Cariacica, na Grande Vitória.


Após o empate, Ricardo foi questionado sobre o que fazer nessas horas de tensão de um clássico? Usar jogadores do banco que estão com mais fôlego, mas que entram mais frios na partida, ou manter os que estão em campo já no ritmo do jogo, apesar de mais exaustos? O técnico alvinegro disse que analisa caso a caso e revelou que sequer pretendia fazer a sua segunda alteração porque via o adversário dominado.


- Depende do jogo. Era um jogo controlado, não tinha porque mexer. Eu nem mexeria com o Bruno (Silva), ele conseguiria jogar até o final. Mas aí deu um segundo carrinho, já tinha amarelo... Fora isso não tem porque mexer, a não ser que você tenha uma opção que vai desequilibrar, não era essa a possibilidade - defendeu-se o treinador, adotando um conceito diferente do ano passado.


O GloboEsporte.com fez um levantamento para analisar todas as substituições de Ricardo Gomes desde sua estreia, na 16ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, e quais influências elas tiveram sobre cada resultado. Dos 32 jogos sob o comando do treinador, em 15 o time balançou as redes ao trocar os jogadores em campo, sendo: nove gols após a primeira alteração; cinco depois da segunda; e 10 posteriores à terceira. Em 13 partidas, as mudanças não afetaram o placar, e em outras quatro, as mexidas além de não resultarem em gols do Botafogo, a equipe ainda foi vazada mesmo com três atletas de fôlegos novos em campo.

Titular no Clássico Vovô, Salgueiro foi substituído por Neilton aos 17 minutos do segundo tempo (Foto: Thiago Lima)


Gols após a 3ª substituição:

Vitória 1 x 2 Botafogo
- 1 gol (Sassá / entrou)

Botafogo 2 x 1 Paraná
- 2 gols (Sassá / entrou)

Mogi Mirim 0 x 3 Botafogo
- 2 gols (Tomas e Luís Henrique / ambos entraram)

Botafogo 1 x 1 Oeste
- 1 gol (Roger Carvalho / já estava)

Botafogo 4 x 0 Bragantino
- 1 gol (Neilton / já estava)

Botafogo 2 x 1 Cabofriense
- 1 gol (Neilton / entrou)

Vasco 1 x 1 Botafogo
- 1 gol (Emerson / já estava)

Boavista 0 x 1 Botafogo
- 1 gol (Fernandes / já estava)


Outro dado que os números revelam é que Ricardo costuma substituir mais quando o Botafogo está à frente do placar na metade final do segundo tempo: foram 30 alterações desta forma. Em seguida, o treinador já promoveu 17 trocas nos primeiros 23 minutos da etapa complementar com o time ganhando, e 16 com ele empatando. As mexidas com derrotas parciais aparecem só depois na lista, sendo 11 na parte final do segundo tempo e 10 na inicial. Também não é do perfil do técnico mudar a equipe no primeiro tempo por questões táticas, apenas por problemas físicos, o que já precisou fazer em cinco ocasiões.


Uma diferença de cenário do ano passado para a atual temporada é a variedade de jogadores do banco usados por opção tática, isto é, sem contar as alterações forçadas por problemas físicos. Em 2015, Ricardo utilizou 17 atletas em 23 partidas, sendo Diego Jardel, Elvis e Sassá os mais acionados - os dois primeiros deixaram o clube na virada do ano, enquanto o terceiro se recupera de uma grave lesão no joelho esquerdo e só deve ficar à disposição para o Brasileiro. Já em 2016, o leque de opções do treinador reduziu para nove, sendo Ribamar, Neilton e Leandrinho os que mais entraram em campo no decorrer das partidas. Nos próximos jogos, o torcedor do Botafogo vai saber se economizar substituições virou tendência ou se foi só coincidência.


Por Thiago Lima/Rio de Janeiro/GE