sexta-feira, 24 de junho de 2016

E a Arena? Sem data de estreia, custo por jogo já é o dobro do Nilton Santos



CBF marca duelo com Santa Cruz para Juiz de Fora, e Alvinegro pode ter máximo de 13 partidas em 2016 no estádio em que investiu cerca de R$ 5 milhões para reforma




E a Arena Botafogo? Ou seria: e a arena, Botafogo? A previsão interna da diretoria de reinaugurar o estádio na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro, no jogo contra o Santa Cruz dia 3 de julho, está ameaçada. A partida, válida pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi marcada pela CBF na última quinta-feira para Juiz de Fora (MG). O Alvinegro, porém, ainda tem esperanças de estrear sua nova casa e aguarda uma vistoria do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) nesta sexta para obter o laudo de segurança que falta. Mas a chance de mudança é remota, isto porque no Estatuto do Torcedor há um limite de 10 dias antes de cada confronto para definição do local. Consultada via assessoria de imprensa, a confederação não respondeu até a publicação desta matéria se uma mudança de palco ainda é permitida.


Se a arena realmente for vetada para 3 de julho, a próxima partida em que poderia ser usada é o clássico contra o Flamengo, três dias depois. Além da dúvida sobre a data da estreia, o torcedor também se pergunta sobre o custo-benefício do estádio. O Botafogo investiu cerca de R$ 5 milhões na reforma do Luso-Brasileiro, onde pode jogar apenas 13 vezes em 2016: 12 do Brasileirão e um da Copa do Brasil - se for passando de fase, esse número aumentaria em até mais quatro jogos. Contando só os garantidos, levando-se em conta que o local esteja liberado a partir do dia 16, o custo por duelo seria de aproximadamente R$ 385 mil. Pouco mais que o dobro da média de despesas que o Alvinegro teve durante todo ano passado no Estádio Nilton Santos: R$ 170.416,25.


O tema foi parar na reunião do Conselho Deliberativo na última terça-feira, em General Severiano. Um dos conselheiros presentes levantou a questão, e a diretoria deixou em aberta a possibilidade de seguir usando a arena em 2017, mesmo com a volta do Estádio Nilton Santos. Mas admitiu: o aspecto técnico está à frente do financeiro o atual cenário do clube. Discurso que bate com o do vice-presidente financeiro Luiz Felipe Novis, em entrevista ao GloboEsporte.com no dia 10 de junho.


- Os dois lados pesaram, mas o lado técnico pesa muito e pode até acarretar em uma volta à Série B. Estamos vendo isso, com o desgaste que o time está sentindo com as viagens. Isso complica o planejamento. É claro que vender jogos para fora gera receitas, mas também atrapalha o programa sócio-torcedor. Isso tudo tem que ser analisado. Mas é fato que não ter um estádio para se jogar no ano inteiro, como o Botafogo tinha até o ano passado, é um problema sério - afirmou.


Para ajudar nas despesas, as receitas que o Botafogo poderá obter com o espaço virá de bilheteria e dos pacotes vendidos para todos os jogos do Brasileiro - até a última segunda-feira, foram comercializados 607 pacotes arquibancada, de R$ 255, e 136 sociais, de R$ 450. Mas para diminuir eventuais prejuízos, membros da diretoria cogitam alugar o espaço para clubes rivais. Porém, o presidente Carlos Eduardo Pereira avisou que não há possibilidades de negócio com o Flamengo enquanto estiver correndo o imbróglio judicial envolvendo Willian Arão.


Quando lançou o projeto no fim de abril, o Botafogo previu inaugurar a arena no dia 12 de junho, contra o Vitória. Mas as obras atrasaram por causa das chuvas que atingiram o Rio nas últimas semanas, além de outros contratempos como por exemplo um vazamento durante as escavações. Fato é que o time profissional alvinegro deve ser o último a jogar no local. O estádio vai ser estreado na próxima quarta-feira pelo time de juniores do clube, em partida contra o Grêmio pela segunda fase do Campeonato Brasileiro Sub-20. Além disso, a Portuguesa-RJ, parceira no empreendimento, tem marcada pela CBF uma partida lá no dia 3 de julho, contra o São José-RS, pela Série D nacional. Os duelos são permitidos porque são de competições diferentes e os regulamentos exigem capacidade mínima menor do que os 15 mil da Série A.
Fonte: GE/Por Marcelo Baltar e Thiago Lima/Rio de Janeiro