domingo, 10 de julho de 2016

Análise: trio de ataque se "vira nos 30" e Bota perde poder de fogo com tática


Sassá, Neilton e Pimpão marcam, se movimentam, abrem espaços, mas terminam o jogo sem finalizar. Perto da estreia de Canales, esquema vira dúvida: 4-4-2 ou 4-3-3?








"Três atacantes?", pensou o torcedor mais desconfiado ao ver a escalação do Botafogo comRodrigo Pimpão, Neilton e Sassá para jogar no Couto Pereira. De fato, a formação testada por Ricardo Gomes ao longo da semana não foi um blefe. Mas também não foi um time ofensivo como a tática sugere. Pelo contrário, o Alvinegro perdeu poder de fogo - até a rodada anterior, adupla com Neilton e Sassá chegou a ser a segunda mais eficiente na pontaria do Campeonato Brasileiro, atrás apenas de Fred e Robinho, do Atlético-MG. A trinca, que ganhou forma na vitória por 2 a 1 sobre o Santa Cruz, foi armada na teoria para explorar os contra-ataques no empate por 0 a 0 com Coritiba, na tarde do último sábado (veja os lances no vídeo acima). Na prática, ela se desdobrou entre marcação, movimentação e ocupação de espaços, só que terminou sem sequer finalizar. E atacante, como diz o ditado popular do futebol, vive de gol.

Atacante ou marcador? Sassá tenta desarmar Luccas Claro. Trio exerceu função tática (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)

Dos três, Pimpão foi quem mais se sacrificou na marcação, o que não é a dele. Cometeu quatro faltas - foi o mais faltoso do time - e correu o risco de levar cartão por causa de carrinhos em disputas de bola. Também foi um dos que mais errou passes nos 90 minutos e pouco produziu ofensivamente - claramente está ainda fora de ritmo. Jogando como um ponta, Neilton ficou mais distante de Sassá, do gol e do jogo em si. Teve uma boa chance logo no início, mas demorou demais a concluir e acabou desarmado. Discreto, saiu no intervalo. E Sassá era o responsável sempre pelo primeiro combate. Se faltou chutar, foi bem nos passes, sem errar nenhum, e criou a melhor chance ao cruzar para o chute contra o próprio patrimônio de Emerson Conceição, que carimbou o travessão. Com o trio apagado, coube a Camilo aparecer como um atacante na área.

Números do trio na rodada:

Pimpão
0 finalização
1 falta sofrida
4 faltas cometidas
13 passes certos
7 passes errados
Cartola FC: -3,60

Neilton
0 finalização
1 falta sofrida
1 falta cometida
3 passes certos
2 passes errados
Cartola FC: -0,60

Sassá
0 finalização
1 falta sofrida
0 falta cometida
9 passes certos
0 passes errados
Cartola FC: 0,50


A mudança de esquema do primeiro para o segundo tempo foi opção de Ricardo Gomes, que sacou Neilton para a entrada de Leandrinho. No 4-4-2, o time dominou o meio de campo, ficou com a posse de bola e consequentemente se tornou mais perigoso. O técnico negou, mas o teste com três atacantes também já é pensando em uma forma de melhor encaixar na equipe o Canales, que está recuperado de um edema ósseo no pé direito e cada vez mais perto da estreia. Com dois pontos abertos pelos lados, o centroavante chileno teria, na teoria, um esquema ideal para receber ser municiado com passes e cruzamentos. E se for com uma dupla, o melhor seria ao lado de um velocista como Pimpão e Neilton ou um finalizador como Sassá e Luís Henrique? O comandante quebra a cabeça e não garante a manutenção do trio.


- Isso depende do adversário, mas é bom ter essa opção, o que não tínhamos - argumentou Ricardo Gomes em entrevista coletiva.


Nenhum dos três se salvou nem no Cartola FC. Com 16 pontos, o Botafogo se garantiu mais uma rodada fora da zona de rebaixamento e subiu provisoriamente para o 14º lugar na tabela. O Alvinegro volta a campo agora pelo Brasileiro no próximo domingo, quando irá estrear a Arena Botafogo no clássico com o Flamengo, às 16h (de Brasília). Antes, porém, o time de Ricardo Gomes tem pela frente o Bragantino pela terceira fase da Copa do Brasil. O jogo de ida será nesta quarta-feira, às 19h30, no Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista (SP).


Fonte: GE/Por Thiago Lima/Curitiba