sexta-feira, 8 de julho de 2016

"Salvador da meta", Diogo Barbosa ganha moral por renovação no Bota


Enquanto não desencanta pelo Alvinegro, lateral salva mais um gol em cima da linha, projeta duelo contra ex-clube e revela papo com Lopes: "Perguntou se tinha interesse"






Para fazer gol no Botafogo, não basta ter que passar por Jefferson ou Sidão. Se o adversário conseguir tal feito, ainda pode dar de cara com Diogo Barbosa em cima da linha. O lateral-esquerdo vai se especializando em ajudar os goleiros e ser o "salvador da meta". Foi assim que bloqueou o chute de Arthur e evitou o empate do Santa Cruz no último domingo, pelo Campeonato Brasileiro, da mesma forma que já havia interceptado a finalização de Marcelo Cirino e impedido uma derrota para o Flamengo no Carioca. Valeram como gols? Pode até ser que sim, mas ele prefere deixar a comemoração para quando enfim desencantar com a camisa alvinegra. Independentemente de gol, sua moral anda alta.

O pessoal falou comigo, com meu empresário, que queria renovar. Perguntou se eu tinha interesse, falei que tinha, claro. Me sinto em casa aqui, um clube grande, por que não estender esse vínculo? Quando o Lopes falou, não hesitei em nada"
Diogo Barbosa, sobre conversa por renovação


Emprestado por um grupo de investidores ao Botafogo até dezembro, Diogo já vislumbra a possibilidade de prorrogar o vínculo em General Severiano. Eleito o melhor lateral-esquerdo do Carioca, o jogador já entrou na pauta de renovação da diretoria desde o fim do estadual, mas as conversas ganharam força após se recuperar de lesão e voltar a jogar. Titular absoluto de Ricardo Gomes, ele foi procurado recentemente pelo gerente de futebol alvinegro, Antônio Lopes, e manifestou a vontade de ficar por mais tempo. Resta saber se o clube investiria na compra de seus direitos econômicos ou tentaria uma ampliação do empréstimo em vigor.


- O pessoal falou comigo, com meu empresário, que queria renovar. Perguntou se eu tinha interesse, falei que tinha, claro. Me sinto em casa aqui, um clube grande, uma oportunidade única de estar jogando, sendo feliz, por que não estender esse vínculo? Quando o Lopes falou comigo não hesitei em nada. Desde o início do ano, quando cheguei, falei que queria ficar mais tempo. Agora então quero muito ficar e poder ajudar o Botafogo em mais coisas - afirmou.

Rá! Diogo Barbosa vem aparecendo como elemento surpresa em cima da linha (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Durante o bate-papo com o GloboEsporte.com, Diogo falou ainda sobre a disputa por posição com Victor Luis, a possibilidade de jogar no meio de campo, a rara lesão, as ambições do time no Campeonato Brasileiro e o confronto com o Coritiba, seu ex-clube, às 16h30 (de Brasília) deste sábado, no Couto Pereira. Confira a entrevista completa com o lateral alvinegro:


GloboEsporte.com: e esse lance que você salvou em cima da linha contra o Santa Cruz, foi como comemorar um gol?

Diogo Barbosa: Foi um lance importante da partida, como o Santa Cruz estava pressionando para tentar o empate. Foi uma jogada de escanteio, a bola sobrou para o jogador deles, logo quando vi me joguei em cima, e ela bateu nas minhas costas. Foi importante porque se tomássemos o gol ali ia dificultar a partida. Não foi como marcar um gol, mas fiquei feliz de ter salvado o gol e ajudado o Botafogo.


Falando em marcar, sente falta de fazer gol por ser um lateral ofensivo?
Estou buscando o meu primeiro gol pelo Botafogo, mas está difícil, tive poucas chances. Já fiz pelo Goiás, pelo Atlético-GO, nunca fui de fazer muitos gols mesmo, meu negócio é mais o passe. Mas estou querendo fazer um logo, uma hora vai sair e espero que seja importante"
Diogo Barbosa, sobre ansiedade por um gol


Estou buscando o meu primeiro gol pelo Botafogo, mas está difícil, tive poucas chances. Já fiz pelo Goiás, pelo Atlético-GO, nunca fui de fazer muitos gols mesmo, meu negócio é mais o passe. Mas estou querendo fazer um logo, uma hora vai sair e espero que seja importante.


E sobre assistências? Você tem duas pelo Botafogo no Carioca, mas no Brasileiro ainda não repetiu o feito. Você se cobra para ser mais garçom?

Muito. Eu sou um lateral que tenho facilidade pra chegar ao fundo, gosto sempre de achar um companheiro bem posicionado. Nesses jogos do Brasileiro não consegui isso, até dei alguns passes, mas o companheiro não fez o gol (risos). Mas é isso, eu me sinto melhor em dar passes do que fazer gol.


E essa disputa com o Victor Luis, como está? Ele chegou e foi bem na sua ausência, mas você se recuperou de lesão e tomou conta da posição novamente...
É uma disputa boa, só o Botafogo ganha com isso. Saí por causa de lesão e quando voltei o professor Ricardo me deu confiança para voltar ao time. Isso é muito importante, tanto na briga nossa na lateral e em outras posições. Não posso vacilar porque sei que tem o Victor ali, tenho que estar sempre me aprimorando. Jogar em time grande é isso, essa briga sempre vai existir.


E como é a convivência entre vocês fora do campo?
Somos amigos, apesar da disputa da posição. Cada um respeita o espaço do outro. O Victor é uma pessoa do bem, querido no grupo, não temos problema algum, a gente se dá bem para caramba. Fora do futebol as pessoas não entendem, acham que há rivalidade, aqui no Botafogo não tem isso, não. O ambiente é muito bom.

Chuta, Diogo! Lateral-esquerdo ainda sonha desencantar com a camisa alvinegra (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)


Vejo muitos torcedores pedindo sua escalação mais avançado, como um meio-campo jogando de ponta-esquerda. Já jogou assim? Acha que daria certo?

Isso eu vejo muito quando vamos tirar fotos com torcedores, e eles pedem para jogarmos juntos. Nos clubes que passei, pela facilidade ofensiva, me colocavam sempre mais à frente, como um meia. Joguei metade do Campeonato Brasileiro pelo Goiás assim no ano passado, no Coritiba também... Os treinadores me davam liberdade, eu gostava de rodar o campo, tenho essa facilidade, mas minha preferência é a lateral mesmo. Só quando for por necessidade, mas aqui temos bons meias, acho que não vai precisar improvisar (risos).

Nos clubes que passei, pela facilidade ofensiva, me colocavam sempre mais à frente, como um meia. Joguei metade do Campeonato Brasileiro pelo Goiás assim no ano passado, no Coritiba também... Os treinadores me davam liberdade, eu gostava de rodar o campo, tenho essa facilidade, mas minha preferência é a lateral mesmo. Só quando for por necessidade, mas aqui temos bons meias, acho que não vai precisar improvisar (risos)"
Diogo Barbosa, sobre jogar no meio campo


Dá para dizer que essa lesão que sofreu entre o fim do Carioca e início do Brasileiro foi o momento mais difícil de sua carreira?

Foi, cara. Para mim foi pela expectativa criada nesse jogo, eu tinha certeza de que seríamos campeões, me preparei muito para a final. No primeiro jogo fui muito bem, o time todo foi bem, e criei uma expectativa pelo título. Quando senti a dor até chorei, veio tudo na minha cabeça. Foi o momento mais triste, minha primeira lesão de músculo, raramente acontece comigo. Tanto que pude voltar antes do prazo que era de um mês, voltei em três semanas.


Você e outros jogadores estão voltando, os reforços estão encaixando e o time vai ficando mais forte. Até onde você acha que o Botafogo pode chegar neste Brasileiro?
Falar é difícil, tem que mostrar. Com o grupo cheio, e com o professor Ricardo tendo todas as peças nas mãos, ele vai poder colocar aquilo que acha melhor. A gente voltou a jogar bem, conseguiu alguns resultados, outros não, mas o importante é que estamos jogando bem. Mas tudo é fruto de resultado, a gente precisa conseguir somar o maior número de pontos possíveis para ir pensando em alguma coisa. Primeiro entrar na zona da Sul-Americana, se conseguir isso aí começa a pensar em Libertadores... Cada passo é de pouquinho em pouquinho. Não adianta falar agora que quer a Libertadores, temos que pensar de ponto a ponto. Começar a vencer os jogos, se acostumar a vencer, estamos oscilando. Deve ir de degrau em degrau.


O próximo adversário do Botafogo é um que você conhece bem, o Coritiba. O que dá para tirar de vantagem da sua passagem pelo Couto Pereira?


Diogo jogou em 2013 no Coritiba, próximo adversário
 do Botafogo (Foto: Raphael Brauhardt / Coritiba FC)
Mudou muita coisa, jogadores têm poucos da minha época. Acho que só o Luccas Claro e o Carlinhos. Mas jogar no Couto Pereira é difícil, a torcida empurra o tempo todo. Sei também que quando as coisas não fluem bem ela pega no pé. Temos que tentar explorar isso, fazer um bom jogo, temos condições de conseguir os três pontos ali. Se mantivermos a mesma dedicação, empenho, coisas boas vão acontecer lá.


Você foi eleito o melhor lateral-esquerdo do Carioca e vem fazendo um bom Brasileiro. Com esse desempenho, o Botafogo já te procurou para falar de renovação?

O pessoal falou comigo, com meu empresário, que queria renovar. Perguntou se eu tinha interesse, falei que tinha, claro. Me sinto em casa aqui, um clube grande, uma oportunidade única de estar jogando, sendo feliz, por que não estender esse vínculo? Quando o (Antônio) Lopes falou comigo não hesitei em nada. Desde o início do ano, quando cheguei, falei que queria ficar mais tempo. Agora então quero muito ficar e poder ajudar o Botafogo em mais coisas.


Fonte: GE/Por Marcelo Baltar e Thiago Lima/Rio de Janeiro