segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Análise: Blasfêmia? Em noite de Mané, Neilton rege o Botafogo e espanta Z-4


Por um domingo, Garrincha não se importaria em assinar alguns lances do camisa 7 contra o Palmeiras. Airton e Camilo ajudam a fincar bandeira fora da zona da degola





Seria “blasfêmia” comparar Neilton a Garrincha? Certamente. Na noite deste domingo, no entanto, Mané não se importaria em assinar alguns lances do atacante contra o Palmeiras. Com a mesma camisa 7 do Botafogo que construiu uma das histórias mais bonitas do futebol brasileiro, Neilton caprichou no repertório. Infernizou a zaga alviverde - que o digam Edu Dracena e Jean -, e marcou dois gols - o segundo uma pintura.


Comparações e brincadeiras à parte, Neilton vive seu melhor momento com a camisa do Botafogo. Com 9 gols, superou Sassá e assumiu a artilharia alvinegra na temporada. A atuação deste domingo apenas coroou a boa fase. Melhor para o Botafogo. O camisa 7 chamou a responsabilidade em um momento crucial para a sequência da temporada. Com inúmeros desfalques, diante do então líder do campeonato, as previsões eram pessimistas. Uma derrota afundaria o time de Ricardo Gomes na zona de rebaixamento. Com a vitória, o Alvinegro respira e termina a rodada na 14º colocação.

Neilton teve sua melhor atuação com a camisa do Botafogo contra o Palmeiras (Foto: Vitor Silva / SSpress / Botafogo)


- O primeiro tempo dele foi... (longa pausa). A qualidade técnica dele não é segredo para ninguém. Ele teve uma lesão grave na pré-temporada. Demorou, demorou a voltar. Agora está pegando forma, mais tempo de jogo e, consequentemente, toda essa parte técnica fica bem à vista. Quando ele está solto, a parte técnica evolui bastante. O Neilton não tem peso, é muito leve, mas tem muita habilidade. É a prova de que o futebol não é só força. Aí vem um pouco da historia do Brasil. Nós temos essa diferença para o futebol europeu. O Neilton é esse caso de qualidade. Quando está em forma, o talento se sobressai - elogiou Ricardo Gomes.

Queremos a volta do nosso futebol brasileiro, e não podemos copiar a metodologia dos europeus. Esquece isso. Os que copiam ficam atrás. Esse tipo de jogo do Airton e do Neilton é o futebol brasileiro
Ricardo Gomes


E se até Ricardo Gomes, empolgado com a atuação, entrou na onda de recordar os bons momentos do futebol brasileiro, podemos, sem receio, voltar às comparações por uma noite. Até porque, carente de ídolos, a torcida alvinegra tem se derretido por um trio que vem sendo fundamental na recuperação do time no Campeonato Brasileiro. Se Mané Garrincha tinha Gerson e Didi no maior momento da história do Botafogo, Neilton pode contar com Camilo e Airton.


Camilo chegou ao Botafogo há menos de dois meses, mas parece frequentar General Severiano há anos. Assumiu a camisa 10 e tornou-se, na últimas rodadas, o principal jogador do time. Dificilmente o time chega ao ataque sem que a bola passe por seus pés. Airton é um caso à parte. Encostado na temporada passada, não disputou sequer um jogo sob o comando de Ricardo Gomes na Série B. Em 2016, se reinventou. Com ele em campo, o Alvinegro ainda não perdeu no Campeonato Brasileiro.


Botafogo não sabe o que é perder
com Airton em campo
(Foto: Vitor Silva / SSpress / Botafogo)
- De novo a história do Airton. Agora ele está muito bem. Na quarta-feira ele poderia ter chegado até o final do jogo, mas tirei para ele ser aplaudido pela torcida. Ele está jogando futebol de gente grande. Espero que isso continue. Toda vez que o Airton está no meio, as coisas ficam mais claras. Ele clareia. Quando o Airton está em forma, é um jogador que tem que se observar em outros níveis. Ele está em forma, está jogando muito futebol e merece ser observado. Queremos a volta do nosso futebol brasileiro, e não podemos copiar a metodologia dos europeus. Esquece isso. Os que copiam ficam atrás. Esse tipo de jogo do Airton e do Neilton é o futebol brasileiro – observou Ricardo Gomes.


Exageros à parte, a torcida do Botafogo tem todo o direito de comemorar. A vitória sobre o Palmeiras foi maiúscula, a atuação - especialmente no primeiro tempo -, de encher os olhos, mas a realidade alvinegra é dura. O time está a apenas dois pontos da zona de rebaixamento e planeja evitar a gangorra de entrar e sair do Z-4. Atuações como a deste domingo podem ser fundamentais para evitar sustos no futuro.


- Está tudo muito bonito hoje, mas ainda tem muita coisa para acontecer. Não podemos ficar entrando e saindo (da zona de rebaixamento) - alertou o treinador.

Fonte: GE/Por Marcelo Baltar/Rio de Janeiro