terça-feira, 6 de setembro de 2016

Sávio vira agente de Luís Henrique e prevê rápida decisão sobre renovação


Ex-jogador toma frente de negociações com Botafogo e revela ter proposta em mãos: "Vamos ver se temos nessa semana uma definição". Empréstimo não está descartado



De capixaba para capixaba: Sávio é o novo agente de Luís Henrique. Aos 42 anos, o ex-jogador do Real Madrid, da Espanha, e que se destacou no Brasil jogando pelo Flamengo está começando no ramo de empresário e tem na joia do Botafogo de 18 anos seu primeiro cliente no futebol profissional. Dono da empresa "Sávio Soccer", com sede em Florianópolis, em Santa Catarina, o representante assumiu a carreira do jovem atacante junto com a mãe do atleta, Tanara Farinhas, que já fazia esse papel. Na prática, agora ele é quem vai tratar com a imprensa e canalizar as sondagens. E o desafio inicial foi tomar a frente das conversas com o Alvinegro.

Sávio ao lado de Luís Henrique e da mãe, Tanara Farinhas: os empresários da joia alvinegra (Foto: Divulgação)

Maior ativo atualmente do Botafogo, com multa rescisória de R$ 60 milhões, Luís Henrique tem contrato só até maio de 2017 e a partir de novembro já poderá assinar pré-contrato com qualquer outro clube. Após a ascensão meteórica no ano passado, a joia perdeu espaço, confiança e se preferir pode sair de graça ao fim do vínculo. Para evitar esse cenário, o Alvinegro montou uma força-tarefa para reerguer o garoto e convencê-lo a renovar. Sávio participou dos últimos encontros com a diretoria, revelou já ter uma proposta em mãos e agora negocia os detalhes. Ele espera um desfecho rápido, talvez nesta semana, e pelo seu tom a tendência é a renovação.

Estamos vendo a melhor forma possível para viabilizar a renovação. É basicamente isso. As primeiras conversas foram boas. Vamos ver os últimos detalhes para ver se temos ainda nessa semana uma definição. O objetivo é resolvermos o mais rapidamente o possível"
Sávio, novo agente de Luís Henrique


– Temos essa situação da Lei Fifa (poder assinar pré-contrato seis meses antes), mas as conversas com o Botafogo foram boas. Agora são detalhes de uma negociação, estamos vendo a melhor forma possível para viabilizar a renovação. É basicamente isso. As primeiras conversas foram boas. Vamos ver os últimos detalhes para ver se temos ainda nessa semana uma definição. O objetivo é resolvermos o mais rapidamente o possível. Vamos aguardar.


Em bate-papo com o GloboEsporte.com, Sávio falou ainda sobre as sondagens que Luís recebeu de Roma e Juventus, da Itália; descartou uma volta para as categorias de base, por outro lado deixou as portas abertas para opção de empréstimo; revelou conselhos por ter passado por situação parecida em sua carreira e explicou um pouco do novo trabalho.


GloboEsporte.com: Como surgiu essa parceria com o Luís Henrique? Você já o conhecia?

Sávio: Na verdade eu o conhecia só por acompanhá-lo, somos de Vila Velha, no Espírito Santo. Depois tivemos o primeiro contato, tive uma conversa com a Tanara (Farinhas, mãe de Luís), já há algum tempo, no ano passado. Nesse ano voltamos a conversar. Na primeira conversa apresentei a empresa, a questão de gestão de carreira. Nesse ano voltamos a conversar mais detalhadamente. Foi muito legal, mostramos como cuidamos da gestão de carreira. O acerto foi até rápido. Fechamos uma parceria para um trabalho de gestão-planejamento a longo prazo: contratos, publicidade, a questão de imagem, auxílio jurídico, gestão financeira... Ou seja, uma gestão completa, um planejamento de longo prazo, não pensamos só no agora.


Você vai dividir a função de empresário com a mãe dele, não é? Mas como vai funcionar isso na prática?

Cena rara? Último jogo de Luís Henrique
 no Bota foi dia 24 de julho
(Foto: Vitor Silva / SSpress / Botafogo)
Eu estou à frente. Mas quando falo em gestão, coloco a família como uma parte importante. Claro que vamos trazer profissionalismo, mas a decisão é sempre em conjunto com a família. Estou à frente, mas é claro que sempre vamos conversar com o atleta e com a família antes de qualquer decisão.


Como estão as conversas com o Botafogo sobre uma possível renovação?

Estamos em um processo de conversas, a gente já teve duas. Tivemos conversas boas, francas e transparentes. É claro que vamos buscar sempre o melhor para o atleta, mas queremos manter uma boa relação com os clubes, e com o Botafogo não é diferente. Temos um trabalho bem transparente para fecharmos um acordo. Conversamos com o Cacá (vice de futebol) e com o presidente do Botafogo (Carlos Eduardo Pereira), que é uma pessoa muito integra, excelente profissional. É importante esse relacionamento e essa transparência. Estamos falando de um grande talento revelado pelo Botafogo.


Há pressa para resolver isso, já que em novembro ele ficaria livre para assinar um pré-contrato?

Temos essa situação da Lei Fifa, mas as conversas com o Botafogo foram boas. Agora são detalhes de uma negociação, estamos vendo a melhor forma possível para viabilizar a renovação. É basicamente isso. As primeiras conversas foram boas. Vamos ver os últimos detalhes para ver se temos ainda nessa semana uma definição. O objetivo é resolvermos o mais rapidamente possível. Vamos aguardar.


Então o Botafogo já apresentou uma proposta de renovação?

Apresentou. Mas é claro que não posso adiantar nada. É uma negociação que envolver valor, tempo de contrato, todos os detalhes, e temos que ir com calma. Tudo está indefinido. Estamos com muita cautela para resolvermos.


Sávio já jogou no Real Madrid e em outros
 clubes da Europa e tem muito contato por lá
 (Foto:Getty Images)
E o interesse de Roma e Juventus. Ainda são possibilidades concretas?

Teve essa conversa, essa questão do interesse da Roma, mas não andou. Na hora "h" não viabilizou. Surgiu a Juventus também. Muita conversa, mas na hora de finalizar ou não também não andou. Mas nunca deixou de ser o interesse do atleta renovar com o Botafogo. Houve sondagens, mas não proposta.


E no Brasil?

Ainda não. Não trabalhamos assim. Há um respeito dos clubes, que sabem que o Luís tem contrato com o Botafogo.


Nesse ano o Luís Henrique perdeu espaço, e a falta de planejamento incomodou o jogador e família dele. Acha que o Luís precisa ser mais valorizado pelo Botafogo?

Isso é uma questão muito pessoal do atleta. Qualquer um quer jogar, principalmente o Luís Henrique que, apesar de jovem, vinha num processo de marcar gols e de repente parou de jogar. Mas no futebol tem que ter tranquilidade. Ele é um garoto de talento. Isso de jogar ou não é muito relativo no futebol. Isso muda de treinador para treinador. É um processo normal que eu passei no futebol. Tem que ter tranquilidade, até porque ele tem um talento enorme e tem muito a evoluir. E ele já vem evoluindo, principalmente como pessoa.


Você conversa com ele sobre essa situação de não jogar?

Converso com ele, tento passar a experiência da minha carreira, faz parte. Passar tranquilidade. O importante é ter foco total na carreira e continuar trabalhando. Vivi situações como essa. O resto é trabalhar muito nos treinos, nos jogos, isso é o principal.


Em caso de renovação com o Botafogo, há a possibilidade de o Luís Henrique voltar para a base ou ser emprestado a outro clube brasileiro para jogar com mais frequência?

Voltar para a base eu acho muito difícil. O resto a gente vê com calma, tranquilidade... É claro que algumas situações surgem. Junto com o Botafogo vamos buscar a melhor situação, seja renovação ou empréstimo. Pode surgir algo interessante para todo mundo. A gente ouve, conversa, analisa com a família e com o clube. Hoje não dá para adiantar nada, mas analisamos tudo para atleta e Botafogo.


Além do Luís, com quais outros jogadores você trabalha?

Trabalhamos muito com as categorias de base. O Luís Henrique é profissional, mas tem 18 anos. A partir desse ano a gente começou a pensar em trabalhar também com jogadores profissionais. Na base, temos jogadores no Flamengo, no Atlético-MG... Planejamos toda a carreira do atleta. É um trabalho muito legal. Aprendi muito com o João (Henrique Areias, ex-empresário de Sávio), estudei na Espanha, fiz cursos no Brasil na área empresarial, mercado financeiro, imobiliário... Me prepararei para isso.


Fonte: GE/Por Marcelo Baltar e Thiago Lima/Rio de Janeiro