sábado, 15 de outubro de 2016

Da base à exclusão em 2014, Sassá e Jair podem coroar parceria com G-6


Velhos conhecidos, amigos e campeões pelo sub-20, dupla, que deixou o Botafogo antes da última participação na Libertadores, pode ir ao torneio como protagonista



O Sassá fez o gol do meu primeiro título como treinador, em um torneio sub-20 na Alemanha. Para mim, como professor e educador, é muito gratificante. A história de vida dele é muito bonita. Um menino que sofreu bastante. Gosto muito dele. Ele está em êxtase com esse momento. Não está sendo fácil segurar o menino (risos)

Jair Ventura

Os dois vivem o melhor momento de suas ainda curtas carreiras. Velhos conhecidos desde as categorias de base, Jair Ventura e Sassásão dois dos principais responsáveis pela reação do Botafogo no Campeonato Brasileiro e têm trajetórias semelhantes em General Severiano.

Crias do clube - cada um em sua função - os dois tiveram um início de ano sem muito protagonismo – Jair era auxiliar de Ricardo Gomes, e o atacante passou o Carioca no departamento médico. Nos últimos meses, a dupla cresceu, conquistou espaço e hoje é unânime entre os alvinegros.

Mais do que ninguém, Jair conhece bem a história e a trajetória de Sassá no Botafogo. Ele acompanhou de perto o sofrimento do jogador há quatro anos, quando Dona Elizete, mãe do atacante, morreu em um acidente de ônibus na BR-101, em Cachoeiro de Itapemirim (ES).

Jair Ventura e Sassá: parceria começou na base, em 2011 (Foto: Vitor Silva / SSpress / Botafogo)

A descontração do atacante também não é novidade para Jair. Desde que subiu para o profissional, ele sempre foi um dos jogadores mais irreverentes do elenco. O grande momento, no entanto, acentuou ainda mais seu estilo. Na melhor fase da carreira, o artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 11 gols, está em “êxtase”, descreve o treinador.

- Vejo o Sassá com um futuro enorme pela frente. É muito legal. Subi com ele, acompanho toda a trajetória dele. O Sassá fez o gol do meu primeiro título como treinador, em um torneio sub-20 na Alemanha. Para mim, como professor e educador, é muito gratificante. A história de vida dele é muito bonita. Um menino que sofreu bastante. Gosto muito dele. Ele está em êxtase com esse momento. Não está sendo fácil segurar o menino - brincou Jair Ventura.


Relação tem até momentos de "ciúmes"

Sassá e Jair Ventura começaram
juntos no sub-20 do Botafogo
 (Foto: Arquivo Pessoal)
A longa relação gera momentos de intimidade e até ciúmes. Jair revelou um diálogo descontraído na última quarta-feira, antes da partida contra o Internacional, quando o atacante colorado Vitinho, que jogou na base do Botafogo ao lado de Sassá, visitou o vestiário alvinegro.

- O Vitinho foi ao vestiário falar com a gente. O Sassá falou: “Olha seu filho aí”. Na época do Vitinho, falei que ele seria a venda mais cara da história do Botafogo, e foi (10 milhões de euros - cerca de R$ 32 milhões, na época). Falei para o Sassá ficar tranquilo, ele também vai ser. Ele é ciumento. Um pouquinho ciumento - contou Jair.


Artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 11 gols, ao lado de Robinho, Fred e Gabriel Jesus, Sassá descreveu em poucas palavras sua relação com Jair.

- Trabalho com o Jair há cinco anos. O diálogo dele comigo é muito mais fácil - elogiou o atacante.

Categorias de base, Série B, Carioca, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro... Curiosamente, falta a disputa de Libertadores no currículo da dupla. Coincidentemente, os dois participaram da campanha no Brasileiro de 2013 que levou o Botafogo ao torneio após 18 anos, mas não colheram os frutos no ano seguinte. Sassá foi emprestado ao Oeste e depois para o Náutico. Na época auxiliar, Jair foi demitido em dezembro de 2013 e só retornou ao clube no ano passado. Quem sabe 2017, com três anos de atraso, o futebol dará uma nova chance aos dois? Desta vez, é claro, como protagonistas.


Fonte: GE/Por Marcelo BaltarRio de Janeiro