domingo, 6 de novembro de 2016

Análise: defesa do Botafogo comprova eficácia e não deixa passar nem cheiro


Na volta do trio de volantes, Alvinegro segura o Flamengo e tudo o que tem direito. Já são 26 jogos sem ser vazado no ano e média de 0,3 gol sofrido por rodada no returno





Seja com três volantes, dois meias ou três atacantes, fazer gol no Botafogo de Jair Ventura é parada dura! Nas 15 rodadas do returno do Campeonato Brasileiro, sob o comando do treinador, a equipe foi vazada apenas cinco vezes. O que dá uma média de 0,3 por 90 minutos, ou um gol sofrido a cada três partidas aproximadamente. O empate por 0 a 0 com o Flamengo no último sábado, no Maracanã (veja os lances no vídeo acima), foi o 26º jogo do Alvinegro em que saiu intacto na temporada: foram 10 no Carioca, três na Copa do Brasil e agora já são 13 na Série A.


É a força de um sistema defensivo, que começa com os atacantes, que está permitindo o sonho da Libertadores – e também passa a convicção de que não vai entrar para fazer figuração no principal torneio da América do Sul. A tática é a do time operário, com os 11 atrás da linha da bola. E por isso Pimpão ganhou a vaga de Sassá, por ter esse lado mais voluntarioso. Mas se engana quem vê a estratégia como retranca. Tanto que as melhores chances do clássico foram alvinegras, e se alguém merecia sair com a vitória do Maracanã, esse alguém foi o Alvinegro.


O Botafogo tem dificuldade quando precisa propor o jogo, mas sabe muito bem se defender com eficácia para explorar os erros do adversário. Contra o Flamengo, Jair voltou com a formação com três volantes e povoou o meio de campo para melhorar a marcação por zona – o técnico não é adepto da marcação individual sobre um jogador. A tarefa de parar um incansável Diego era árdua, mas a tática deu conta do recado. Tanto que Sidão praticamente só foi ameaçado uma vez durante os 90 minutos, em chute de fora da área do próprio meia rubro-negro.


– Ele fez um belo jogo. É muito difícil marcar um craque, comentamos no vestiário que ele está sempre arrumando um espaço vazio. Quando estava com o Airton, ele olhava e já estava nas costas do Rodrigo (Lindoso), do Bruno (Silva)... Difícil marcar, tem que tenta minimizar. Se tivesse marcação perfeita não sairiam os gols. Deu certo porque ele não fez nenhum passe decisivo – analisou Jair no fim do jogo.

Marcação cerrada! Alvinegros não deram espaço para Guerrero no Maracanã (Foto: André Fabiano / Agência Estado)

O ataque, no ataque, ainda precisa melhorar o aproveitamento nas oportunidades criadas – o declínio do número de gols coincide com a queda de rendimento de Camilo. Mas para quem tinha dúvidas da força alvinegra, o clássico provou que o time sabe enfrentar de igual para igual adversários com forte poderio ofensivo e a pressão de um estádio lotado. Seja com o temido Boca Juniors na La Bombonera, na Argentina, ou com o atual campeão da Libertadores, o Atlético Nacional lá dentro do Atanasio Girardot, na Colômbia.


Já projetando 2017, três jogadores do sistema defensivo que vêm sendo titulares não estão garantidos para o ano que vem: Sidão, Alemão e Victor Luis, todos em fim de contrato. A diretoria tenta a renovação com o trio para manter a espinha dorsal. Após o empate no clássico, o Botafogo chegou a 55 pontos e segue firme e com folga, ao menos por mais uma rodada, no G-6, grupo que garante classificação para a Libertadores. O elenco alvinegro ganhou folga neste domingo e segunda-feira e se reapresenta na tarde de terça, em General Severiano


Fonte: GE/Por Thiago Lima/Rio de Janeiro