quarta-feira, 3 de maio de 2017

Análise: Bota não repete atuações, perde o meio e sofre com a velocidade do rival


Com menos um jogador no meio, time sente os contra-ataques do Barcelona e acaba surpreendido com dois gols no primeiro tempo. Jair ainda faz algumas substituições, mas sem resultado




Exemplo de organização em campo e maturidade, principalmente nos últimos dois jogos fora de casa pela Libertadores da América, o Botafogo não foi o mesmo Botafogo na noite desta terça-feira, no Estádio Nilton Santos. Com um esquema mais ofensivo, o time não rendeu o esperado e acabou surpreendido pelos rápidos e já aguardados contra-ataques do Barcelona de Guayaquil, que chegava com muita facilidade na desprotegida defesa alvinegra.



Camilo durante a partida entre Botafogo e Barcelona de Guayaquil pela Libertadores da América (Foto: André Durão)


Com a vitória do Atlético Nacional por 4 a 1 diante do Estudiantes também nesta terça, o Botafogo precisava de apenas três pontos para se garantir nas oitavas da Libertadores. A ansiedade era grande, tanto nas arquibancadas quanto no campo. Rodrigo Pimpão, por exemplo, reconheceu após o jogo que o time pecou pela vontade e esqueceu do adversário. De fato!


Essa vontade foi vista logo no inicio do jogo, quando o Botafogo pressionou o Barcelona na saída de bola e mostrava que buscaria a classificação a toda forma. Mas, aos poucos, os equatorianos começaram a dominar o meio de campo, aproveitando a frágil marcação, que tinha Airton e João Paulo se desdobrando na frente da zaga e Camilo, tendo que voltar e ao mesmo tempo armar as jogadas ofensivas. Com os três atacantes, Pimpão e Guilherme até voltavam para marcar, mas não conseguiram ajudar muito, principalmente quando o contra-ataque vinha pelo centro do campo.


Foi assim no primeiro gol logo aos sete minutos. Após uma bela enfiada de Alemán para Ayoví, que ganhou com facilidade na corrida de Carli e tocou na saída de Gatito. Um balde de água fria nos alvinegros. Aos 23, a zaga se atrapalhou e ainda contou com a saída errada de Gatito, que deixou Jonatan Álvarez sozinho para ampliar e complicar a situação.


Questionado se o esquema teria dado errado, Jair lembrou que a equipe já havia jogado assim em partidas no NIlton Santos. Porém, o comandante, nesta terça, não teve em campo dois meias de armação (Camilo e Montillo) como nas outras oportunidades.


- Na verdade não são 3 atacantes, é um 4-2-3-1. Nesses 50 jogos que tenho, não jogamos só em um esquema. Perdemos o Bruno (Silva), e não tenho outro jogador com essa característica. Ou eu engesso o esquema com outro jogador ou faço o que fiz em casa contra os outros, com dois volantes. Toda vitória em casa foram só com dois. Passamos a três volantes depois - explicou.


Para piorar, Camilo sentiu o adutor da coxa e não voltou para o segundo tempo, fazendo com que Jair tivesse que mudar ainda mais o esquema ao colocar Roger. Sem homem de armação, o time iniciou a etapa final com quatro atacante e dois volantes.



Airton foi o principal jogador do Botafogo na noite desta terça-feira (Foto: Vitor Silva / SS Press / Botafogo)


No jogo contra o Estudiantes, por exemplo, o Botafogo teve um meio-campo mais forte na marcação, com Airton e Bruno Silva. Camilo e Montillo completaram a zona do campo, com Pimpão e Roger na frente. Um esquema com jogadores de características bem diferentes. Fato é que o time nao teve a mesma força na marcação como antes na Libertadores. João Paulo correu muito, mas tem como principal fundamento a técnica e não a marcação.


A verdade é que o Botafogo vai precisar se reorganizar e terá tempo para isso. O confronto diante do Atlético Nacional em casa será apenas dia 18. Airton e Marcelo estão suspensos, mas o técnico Jair Ventura terá a importante volta de Bruno Silva. A classificação ainda depende só do time, que tem condições de sobra para chegar as oitavas de final e coroar a bela campanha que vem fazendo desde a heroica Pré-Libertadores.


Fonte: GE/Por Felippe Costa e Thiago Lima, Rio de Janeiro