sábado, 24 de janeiro de 2015

Botafogo discorda da Prefeitura, estima R$ 45 MI de prejuízo e estuda ação


Engenhão passa por reforma na cobertura do estádio - Nina Lima / Agência O Globo

O Engenhão já tem data para sua reabertura: 7 de fevereiro, quando Botafogo e Bonsucesso se enfrentarão para um público de 20 mil pessoas. O que ainda não tem prazo quando Botafogo deve retomar o controle do estádio. A prefeitura garante que entrega a obra em julho. Até lá, o município segue responsável pelos custos. Em abril do ano que vem, o Engenhão passará ao comando do Comitê Organizador Local (Rio-2016), que irá administrá-lo até as Olimpíadas.

O pouco tempo para explorar economicamente o estádio preocupa e as dívidas acumuladas pelo Botafogo podem ser motivos de desentendimento. A prefeitura afirma que a extensão de contrato é suficiente para cobrir as despesas, mas o clube pretende brigar na Justiça por dinheiro.

Segundo o secretario Especial de Concessões e Parcerias Público Privadas, Jorge Luiz de Souza Arraes, quando o Engenhão foi interditado, o contrato entre a prefeitura, dona do estádio, e a Companhia Botafogo, arrendatária, foi cancelado. Como a causa não foi planejada e não há motivos claros para a quebra de contrato, ele será retomado. O clube, que deveria devolver o Engenhão em 2027, ganhou um prazo maior pelo tempo de obra (se não atrasar, o contrato vai até 2029).

— A questão é que o contrato foi paralisado e só será retomado quando o Botafogo receber o estádio completo, com 45 mil lugares. Isso foi o assinado e essa será a compensação — afirmou Arraes.

Na visão da prefeitura, o tempo extra de direito de exploração será suficiente para compensar as perdas acumuladas pelo Botafogo. O clube tem uma outra visão. Na última conta feita, em novembro, a estimativa era que o prejuízo chegasse a R$ 45 milhões em contratos. Com dívidas e sem poder esperar, o clube já estuda entrar na Justiça para receber as compensações já.

— O departamento jurídico discute como vamos receber essa compensação. Vamos analisar tudo — disse o presidente Carlos Eduardo Pereira, evitando criar polêmica.

Na tarde de sexta-feira, uma reunião envolvendo Pedro Paulo, secretário executivo do governo, Carlos Eduardo Pereira e representantes do Consórcio Engenhão, da Secretaria de Obras, da Secretaria de Conservação e RioUrbe, definiu os termos no quais o estádio será devolvido.

No encontro, ficou acordado que, até o dia 31, as obras do entorno serão concluídas. No dia 28, o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) fará uma vistoria para liberar o Engenhão para os jogos. Se tudo for aprovado, o consórcio vai começar a retirar alguns materiais do canteiro de obras e a Comlurb limpará a área.

Fonte: O Globo Online