terça-feira, 5 de maio de 2015

Jefferson comemora convocação para a Copa América: "Tem gosto especial"


Capitão do Botafogo volta ao time após cirurgia no joelho esquerdo e ressalta a expectativa de primeira competição oficial pela seleção brasileira como titular




No último treino antes do jogo de volta contra o Capivariano, pela segunda fase da Copa do Brasil, o Botafogo ganhou um incentivo com a confirmação da volta de Jefferson ao gol – o camisa 1 está completamente recuperado da artroscopia no joelho esquerdo, em virtude de uma lesão sofrida no amistoso da seleção brasileira contra a França. E o capitão alvinegro, por sua vez, ganhou motivação extra com a convocação de Dunga para a Copa América. Depois da atividade realizada no Estádio Nilton Santos, Jefferson comemorou a vaga em entrevista coletiva.

– Estou muito feliz. É mais um sonho realizado na minha carreira. É sempre uma honra servir à seleção brasileira, representar o país, principalmente depois de uma lesão. Foi melhor ter acontecido naquele momento do que, de repente, mais perto da convocação.

Jefferson durante a coletiva no Estádio Nilton Santos, após treino do Botafogo (Foto: Vitor Silva / SSPress)

Figura constante na Seleção desde Mano Menezes, Jefferson esteve no grupo de Luiz Felipe Scolari na Copa 2014, mas como reserva. Agora, titular absoluto sob o comando de Dunga, o ídolo botafoguense ressaltou o fato de, enfim, entrar em campo ostentando a camisa 1 do Brasil.

– (A Copa América) tem um gosto especial. Claro que ninguém tem cadeira cativa, mas pode ser minha primeira competição oficial jogando. Estou feliz por isso e vou me preparar ao máximo para, quem sabe, voltar ao Botafogo com a taça.

O Botafogo recebe o Capivariano nesta quarta-feira, às 22h (de Brasília), no Estádio Nilton Santos. Como venceu o jogo de ida por 2 a 1, avança à terceira fase com um empate por qualquer placar.

Confira a íntegra da entrevista coletiva do goleiro Jefferson

Avaliação do Carioca
Ficou a sensação de dever cumprido. Nós jogadores lamentamos não termos conseguido o título, mas não podemos fugir do nosso maior objetivo, que é subir para Série A. No Carioca conseguimos montar uma grande equipe, reformular um time que agora está estruturado para chegar forte. O vice está superado, e agora é levantar a cabeça para começar a competição no sábado.

Condição física

O joelho está 100%. Claro que durante os jogos vou adquirindo ritmo, isso é normal para qualquer atleta. Também vou usar a experiência para recuperar a forma o mais rapidamente possível.

Decisão de não disputar final do Carioca

Sentamos e conversamos com comissão técnica e diretoria para decidirmos o que seria melhor para o Botafogo e, consequentemente, para mim. Eu queria participar, ajudar em campo, mas chegou uma hora que não teve como. Eu chegaria no jogo cansado porque estava treinando quase em três períodos e não daria tempo de recuperar. No jogo desta quarta eu chego mais inteiro.

Jefferson disse que o Joelho já está 100%
curado da lesão (Foto: Vitor Silva / SSPress)
Renan

Ele amadureceu bastante. Fico feliz pelo Botafogo por ter encaixado essa questão dos goleiros, no que diz respeito aos atletas e os preparadores. Quando cheguei se falava muito da necessidade de reformular os goleiros, e hoje o clube estará bem servido com a minha ida para a Seleção. Isso no que se refere ao Renan e também ao Helton. Todos já deram conta do recado.

Três competições até o fim do ano

Tem que saber separar, são campeonatos diferentes. O Carioca já passou e temos a Copa do Brasil, que é muito importante. Não vamos com time principal, mas quem estiver em campo vai querer mostrar que tem condição de estar no grupo. No sábado começa a nossa guerra, o nosso principal objetivo, que é o acesso à Série A.

Grupo fortalecido após o Carioca

Essa derrota vai nos fortalecer para chegarmos mais fortes na Série B. Esses jogos deram experiência e maturidade a muitos jogadores. Não tem tempo de lamentar, pois sabemos que temos coisas a melhorar. Acho que se amanhã o Botafogo jogasse com time que perdeu domingo poderia ser mais difícil. Mas quem entrar em campo vai dar a vida, enquanto isso os outros poderão colocar os pés no chão, ficar com a família e se fortalecerem.

Título da Copa do Brasil
Vamos chegar às finais se todos tiverem consciência de que podemos jogar a Libertadores novamente no ano que vem. Pode estar distante, mas temos que pensar nisso. É preciso sonhar alto, e isso vai ser bom para o clube. Mas a Série B continua sendo nossa guerra, nosso principal objetivo.

Time reserva na Copa do Brasil

O calendário tem sido desgastante para muitos jogadores. Os exames indicaram esse desgaste, e seria desnecessário colocar na quarta-feira o time que acabou de jogar no domingo, sendo que outros estão inteiros e têm condições de representar o clube. Com isso o Botafogo vai revelar outros atletas que não vêm atuando tanto. Não estamos com time reserva ou time B, mas com uma equipe forte. Respeitamos a Copa do Brasil, que é o caminho mais curto para a Libertadores. Temos capacidade para buscar esse título, temos que pensar grande.

Ídolo alvinegro vai reforçar os reservas do Bota na partida contra o Capivariano (Foto: Vitor Silva / SSPress)
Contratações para a Série B

Nós que somos jogadores procuramos trabalhar com quem está aqui e deixa contratações para a diretoria e para o René. Não sou de pedir jogador, são eles que sabem. Mas o importante é que são contratações pontuais e que são jogadores que estão em busca dos seus sonhos. De repente, um atleta consagrado para um time encaixado pode não se encaixar na filosofia de um grupo no qual todos querem espaço. Por isso o Botafogo está montando uma equipe competitiva para a Série B.

Obrigação de ser campeão da Série B?

É preciso saber até onde vai essa pressão. O Botafogo tem obrigação de chegar nas finais, de fazer grandes jogos e ser campeão. Mas também não se pode trazer uma responsabilidade acima do normal. O Botafogo tem a responsabilidade de buscar o título, mas o principal objetivo é o acesso. Há vários adversários que podem ser campeões, mas o objetivo é subir. Esta é a nossa pressão, e a torcida entende isso. Mas claro que vamos brigar pelo título, como foi no Campeonato Carioca.

Por Gustavo Rotstein Rio de Janeiro/GE