quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Diego supera barreiras e se destaca em primeiro ano de profissional


Desde os 12 anos no Botafogo, lateral-direito venceu rejeição do Fluminense e imbróglio que o impediu de disputar a Copa São Paulo de 2015




Vitória: depois de enfrentar barreiras, Diego se
 firma como profissional no Botafogo
(Foto: Vitor Silva/SSPress)
As seis partidas disputadas logo em seu primeiro ano de profissional dão a impressão de um caminho fácil para Diego. Mas até ser promovido, o lateral-direito percorreu um caminho complicado. Até mesmo dentro do clube onde chegou em 2008, aos 12 anos. Mas a realização do sonho de atuar na equipe principal foi realizado a muito custo. E os percalços ocorreram neste mesmo 2015 de alegria.


Descoberto numa escolinha do município de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Diego teve a chance de fazer um teste no Fluminense. O lateral foi observado durante um ano – treinando somente uma vez por semana – até ser dispensado. Mas com a ajuda de um amigo de seu pai, ele conseguiu uma vaga no Botafogo. Bastou uma semana para que integrasse a base do clube.

Diego, então, seguiu o curso natural e passou por todas as categorias, quando precisou enfrentar mais uma barreira no início deste ano. Ele acabou atingido indiretamente pela questão política do clube. No momento da mudança de presidente, ao fim do ano passado, o jogador passou a viver dificuldades para renovar seu contrato. Isso fez com que não disputasse a Copa São Paulo de Juniores de 2015, uma das principais competições das categorias de base.


Mas a temporada reservava surpresas positivas para Diego. Assim como outros atletas dos juniores, ele fez alguns treinos com os profissionais até ser relacionado para o jogo contra o Capivariano, pela Copa do Brasil. O então técnico do Botafogo René Simões escalou uma equipe reserva, já que o Alvinegro estava envolvido com a fase decisiva do Campeonato Carioca. Em sua estreia no time principal, Diego deu o passe para o gol de Sassá.


Diego pelo Botafogo aos 12 anos, em 2008:primeiros
 passes no club que o revelou (Foto: Arquivo pessoal)
- Vinha treinar com os profissionais e fui conhecendo o grupo. Depois tive a chance de jogar contra o Capivariano ao lado de outros atletas da base. Isso me deixou mais à vontade. Então dei o passe para o gol do Sassá, que também é formado no clube e me deu muita força quando cheguei - disse.

Naquele momento, Diego despertava o interesse de dois clubes da Série A, mas manteve firme a vontade de permanecer no Botafogo. Então, cerca de um mês depois de estrear como profissional, o lateral firmou seu novo contrato com o clube – válido até dezembro de 2016.

- Na época, conversei muito com os pais dele, que ficaram muito chateados. Eles (antiga gestão) queriam renovar, chegaram a um acerto, mas não assinaram e não o levaram para a Copa São Paulo, que é uma grande vitrine. O contrato dele terminaria no meio de 2015. Prorrogamos até o final do ano que vem, já que era o limite, quando ele atingirá 20 anos. Daqui a pouco o departamento de futebol profissional terá que reavaliar isso - afirmou o diretor da base do Botafogo, Manoel Renha.

Com a situação contratual estabilizada, Diego teve a tranquilidade para buscar seu espaço. A situação ficou mais favorável com a saída do titular Gilberto (vendido em julho para a Fiorentina), que o deixou como o substituto imediato de Luis Ricardo. O lateral vem agradando o técnico Ricardo Gomes, que o escalou contra o Sampaio Corrêa, o último compromisso do Botafogo e o manteve nos treinos que antecedem o duelo contra o Bragantino, neste sábado. Diego correspondeu, dando os passes para os gols de Neilton e Navarro. O jogador, entretanto, ainda busca adaptação à nova realidade em campo.

- Na base o jogo é mais corrido, todo mundo quer correr por todos. Aqui o jogo é mais cadenciado, cada um faz o seu papel. Além disso, é mais forte fisicamente, e por isso tenho sentido algumas cãibras sentindo dificuldade na disputa corpo a corpo. Mas tenho feito um trabalho para ganhar mais força e resistência - destacou.

Por sua vez, o Botafogo vem fazendo o máximo para proporcionar a melhor adaptação a Diego. Afinal, não está descartada a possibilidade que ele comece 2016 como titular. Mas ao mesmo tempo, o clube prega cautela com o valor revelado na base

- É um menino que sempre olhamos com bons olhos. Mas isso vai ar pouquinhos. Não podemos colocar grandes responsabilidades. Gradativamente ele vai ganhando espaço - observou Manoel Renha.


Com a experiência adquirida nos primeiros meses como profissional, Diego se dá o direito de sonhar com voos maiores na próxima temporada.


- Vou buscar mais oportunidades e, quem sabe, virar titular em 2016. Tomara que o Botafogo confie em mim.


Por Gustavo Rotstein e Marcelo Baltar Rio de Janeiro / GE