quarta-feira, 29 de junho de 2016

Bota recorre do caso Arão e aguarda julgamento em 2ª instância no TRT-RJ


Volante do Fla, que em março teve ganho de causa na 27ª Vara do Trabalho, vai voltar ao tribunal e ser julgado por desembargadores; audiência pode ser só após Olimpíada



Willian Arão terá que retornar em breve aos tribunais
para um novo julgamento (Foto: Reprodução SporTV)
A novela Willian Arão ainda está longe do fim para o volante, Flamengo e Botafogo. O jogador já obteve duas vitórias na Justiça até o momento: em dezembro do ano passado, recebeu tutela antecipada que o permitiu se desligar do Alvinegro até o julgamento e deixou o caminho livre para se transferir para o Rubro-Negro; e no último mês de março, viu a juíza da 27ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro considerar nula a cláusula de renovação automática que havia em seu contrato em General Severiano. Mas seu ex-clube está disposto a ir até as últimas esferas jurídicas para cobrar uma indenização pelo jogador, que tinha multa de R$ 20 milhões.


Tanto que, segundo o departamento jurídico alvinegro, o Botafogo já protocolou um recurso no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro para o caso ser julgado em segunda instância, agora pelos desembargadores do tribunal. O processo ainda está em fase de tramitação, e se a audiência não for marcada para julho, o julgamento ficará para só depois da Olimpíada. Isso porque o TRT-RJ não funcionará durante os Jogos da Rio 2016. Se perder mais uma vez, o Alvinegro ainda poderá recorrer em última instância no Tribunal Superior do Trabalho.


Em novembro do ano passado, o Botafogo chegou a fazer duas vezes o depósito de R$ 400 mil para acionar o dispositivo de renovação automática, mas ambos foram devolvidos por Arão, que já desejava se transferir para o Flamengo. A Justiça tornou sem efeito a cláusula por entender que o contrato fere a nova resolução da Fifa que proíbe investidores de ter direitos econômicos de atletas. Na visão da juíza da 27ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, o próprio volante foi considerado seu "investidor" e dono de parte do montante econômico na renovação. O Botafogo discorda da interpretação e por isso leva o caso adiante, mas o departamento jurídico acredita que o processo pode durar meses ou anos para uma definição devido ao ineditismo da matéria.


O "caso Arão" azedou o clima entre os clubes, pois a diretoria do Botafogo acusou o Flamengo de ter assediado o jogador. Por isso, o Alvinegro se recusa a conversar sobre outros assuntos com o rival enquanto não receber uma indenização que julga ter direito. Tanto que, quando membros da direção cogitaram alugar a Arena Botafogo, na Ilha do Governador, para outros times, o presidente Carlos Eduardo Pereira avisou que não há negócio com o Rubro-Negro. Na última terça-feira, também chegou a ser especulado por alguns veículos de imprensa que o clube da Gávea estava abrindo diálogo com o Alvinegro para administrar o Engenhão, rebatizado de Nilton Santos. Porém, rapidamente o Botafogo usou as redes sociais para negar a informação e postar foto do estádio com a legenda: "A casa é do BOTAFOGO e ponto final!"


Fonte: GE/Por Felippe Costa e Thiago LimaRio de Janeiro