domingo, 25 de setembro de 2016

Análise: seja com três volantes ou dois meias, Bota vive "Camilodependência"


Alvinegro não consegue ir bem com seu camisa 10 apagado e chega ao seu 13º jogo no ano sem fazer gols. Ainda sem desfalcar o time, jogador vem sofrendo com dores




Uma finalização, nove passes certos e três bolas alçadas na área: assim foi a participação de Camilo em 46 minutos na derrota por 1 a 0 para o América-MG, no último sábado, no Independência (veja os melhores momentos no vídeo abaixo). Parece pouco, e realmente é. O camisa 10 esteve irreconhecível, e o Botafogo idem. Aliás, o Alvinegro não consegue jogar bem – o que não significa ganhar – sem estar sob a batuta de seu maestro. O torcedor muito se questiona sobre qual é a formação ideal para a equipe, mas seja com três volantes, dois meias ou quiçá 11 atacantes, o time de Jair Ventura nitidamente sofre com a "Camilodependência".


Camito, apelido que ganhou desde sua estreia de gala diante do Internacional no Beira-Rio, soma seis gols e cinco assistências, sendo responsável direto por quase metade dos 25 gols do Botafogo no Campeonato Brasileiro desde então. Mas praticamente toda jogada ofensiva da equipe passa pelos pés do camisa 10. Com o meia apagado, o Alvinegro chegou a sua 13ª partida na temporada sem balançar as redes, sendo cinco delas com o jogador em campo: empate com o Coritiba e derrotas para Ponte Preta, Atlético-PR, Santos e América-MG.


Camilo vem sendo peça crucial na arrancada do Botafogo no returno do Brasileiro. Antes da chegada do meia, o Alvinegro tinha só 30% de aproveitamento em 10 partidas pela competição. Desde a estreia do camisa 10, o desempenho deu um salto para 56,8% em 17 jogos no nacional. Números que fazem o torcedor querer vê-lo em campo sempre. E de fato ele nunca desfalcou a equipe. Mas a maratona tem um preço: o jogador vem sofrendo com dores musculares. Não chegou a ter lesão, e sim edemas: já teve um no ombro direito no mês passado e agora apareceu outro na coxa direita, o que prejudica demais o seu rendimento.





Jair não tem um substituto a altura de Camilo no elenco, embora há outros cinco meias no plantel. Contra o América-MG, Leandrinho foi o escolhido para substituir o camisa 10 no segundo tempo, mas a mudança não surtiu efeito. Entre as opções, o jovem de 20 anos é o mais utilizado, mas ainda é muito inexperiente e disputa sua primeira Série A. Os demais nomes para a posição estão em baixa: os gringos Gervásio "Yaca" Núñez, Salgueiro e Lizio não convenceram, e Gegê, que até começou bem a temporada com Ricardo Gomes, caiu no esquecimento.


É, Jair, fazer o time jogar sem o Camilo em ponto de bala está difícil. Com o fim da maratona de jogos e a semana livre para trabalhar, o técnico terá tempo para recuperar o seu maestro ou tentar achar alternativas táticas para sua ausência. O Botafogo volta a campo no próximo sábado, às 16h30 (de Brasília), contra o Corinthians na Arena. Com 38 pontos, o Alvinegro é o nono colocado do Brasileiro, mas pode ser ultrapassado na rodada por Chapecoense e Grêmio.


Fonte: GE/Por Thiago Lima/Belo Horizonte