sábado, 10 de setembro de 2016

Ufa! Dudu Cearense ganha sequência, admite alívio e responde a internautas



Quase um turno após estrear pelo Botafogo, volante enfim fará segundo jogo seguido, afirma que ficou "zen" e espera sair da fila do jejum de gols: "Uma hora vai aparecer"



Quem vê Dudu Cearense circulando sorridente por General Severiano não precisa nem fazer força para perceber a felicidade estampada em seu rosto. Feliz e também aliviado. Praticamente um turno depois de sua estreia pelo Botafogo, enfim ele ganhará uma sequência e será titular pela segunda vez seguida neste domingo, contra o Cruzeiro no Mineirão, às 16h (de Brasília), pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. Principalmente agora, com as lesões de Airton, Lindoso e Fernandes, o experiente jogador de 33 anos passa a ser o homem de confiança de Jair Ventura no meio de campo. Apesar de se dizer bem fisicamente, evita fazer projeções de jogos, alega ter ficado "zen" com a idade para evitar "sofrer por antecipação", mas não esconde a vontade de sair da fila do jejum de gols: do time, só ele, Diego, Airton e Sidão não marcaram.


– A maturidade quando chega, cara, você fica mais tranquilo. Antigamente eu pensava na sequência: "Vou arrebentar, no próximo jogo não sei o quê". Com a maturidade você fica mais zen, até porque não adianta sofrer por antecipação. (...) Claro, um golzinho... Até porque taticamente estou sendo muito exigido, de vez em quando dou uma escapada ali para tentar fazer um gol, ou em uma bola parada. Mas estou sem pressa, acho que quando mais você quer você não consegue. Espero ficar tranquilo, que uma hora vai aparecer.

(veja no vídeo)
http://globoesporte.globo.com/ge/videos/v/dudu-cearense-reponde-perguntas-de-internautas-botafoguenses/5294617/


Dudu bateu um papo com o GloboEsporte.com em General Severiano, após o treino da última sexta-feira, e aceitou o desafio de responder a cinco perguntas de internautas no Twitter. Abaixo, confira também a entrevista completa com o volante alvinegro:

Enfim com sequência, Dudu Cearense anda com sorriso solto no Botafogo (Foto: Vitor Silva / SSpress / Botafogo)

GloboEsporte.com: Praticamente um turno depois desde a sua estreia, enfim você está tendo uma sequência. Dá uma sensação de alívio?

Dudu Cearense:Demais. Para mim foi um momento muito árduo de recuperação, e poder ajudar é maravilhoso, até porque fui contratado para isso. Espero poder manter isso agora com uma sequência boa.


O que houve com você naquele jogo contra o Santos?


Para mim foi um momento muito árduo de recuperação, e poder ajudar é maravilhoso, até porque fui contratado para isso. Espero poder manter com uma sequência boa"
Dudu Cearense, volante do Botafogo


Cara, eu senti... Não sei se foi torção, não sei se foi uma pancada muito forte, mas travou meu joelho. Quando travou eu não quis sair, falei: "Eu vou até estourar". E fui até o final com uma perna só praticamente. Depois do jogo falei: "Doutor, eu não consigo dobrar minha perna". Aí que eu parei 15, 20 dias, fortaleci manhã e tarde na musculação, e praticamente virei outro jogador. Mas foi bom, o departamento médico e fisioterapeutas foram excelentes comigo, agradeço muito a todos.


Pelo tempo de recuperação, acha que foi a pior lesão da sua carreira?

Acho que sim. Sou um jogador de poucas lesões. As que tive e lembro foram acidentes. Lá no CSKA (Rússia) uma vez fui bater no sintético e meu pé prendeu, na outra foi um jogo final, nos acréscimos fui dar um carrinho, chutei a perna do cara e a minha perna voltou. Machuquei o ligamento medial, mas não foi nada sério. De resto assim só coisas normais de edema, um cansaço muscular, mas é porque eu trabalho muito. Querendo ou não o nosso corpo é nossa ferramenta de trabalho, é importantíssimo. Espero que possa manter isso durante anos e anos.


Com as lesões do Lindoso e do Fernandes, e talvez a ausência do Airton, você está pronto fisicamente para suportar essa maratona de jogos que há pela frente?

É difícil falar porque eu vivo jogo após jogo. Até porque a intensidade é muito grande, e o corpo não é uma máquina, então você acaba sentindo as consequências. Mas enquanto puder jogar, aguentar, vamos até o fim. Eu não fico projetando nada, de "ah, vou aguentar sequência de 10, 15 jogos". Quero pensar um por um, para mim o mais importante é o próximo. Depois eu vejo o que vai acontecer.


Dudu Cearense estreou pelo Botafogo dia
5 de junho, contra o Santos, no Pacaembu
 (Foto: Marcos Ribolli)
A forma de jogar aqui é a mesma de quando você estava no Fortaleza ou mudou?

Diferente taticamente. Lá no Fortaleza a gente jogava com 4-1-4-1, e aqui é 4-3-3. Mas eu joguei muitos anos assim também no CSKA (Rússia), no Olympiacos (Grécia), como primeiro, segundo e terceiro volante, então não tem diferença. Até porque você tem que ter a leitura de jogo durante a partida.


Você sempre foi de fazer uns golzinhos e dar assistências, mas aqui no Botafogo ainda não conseguiu. Sente falta?


Claro, um golzinho... Até porque taticamente estou sendo muito exigido, de vez em quando dou uma escapada ali para tentar fazer um gol, ou em uma bola parada. Mas estou sem pressa, acho que quando mais você quer você não consegue. Espero ficar tranquilo, que uma hora vai aparecer.


Essa é sua primeira experiência no futebol carioca, não é? O que está achando?

Maravilhoso poder jogar em um grande clube do Brasil, está sendo o melhor momento da minha carreira profissionalmente. Você jogar em um time do Rio é diferente porque a cobrança é muito grande. É o extremo, ou você está bem, lá em cima, ou está mal, está lá embaixo. Eu procuro buscar equilíbrio e, claro, jogando aqui e sendo cobrado dentro de campo não tem problema. Espero render a cada jogo.


E como tem sido o contato com torcedores na rua?

Tranquilaço, o pessoal me apoia para caramba. Essa torcida, esse carinho... Eu dou atenção a todos que me procuram, não tem problema nenhum. Até porque somos vistos diariamente, então a cobrança é imensa. Mas o fato de ter esse carinho nas ruas ou onde quer que seja para mim é gratificante.


Como foi o contato com os austríacos durante a Olimpíada? Você foi um dos poucos que falavam com eles por causa do idioma, não é?

Dudu Cearense sendo entrevistado pelos
 austríacos no Botafogo durante a Olimpíada
(Foto: Thiago Lima)
Muito interessante, cheguei na Casa da Áustria e me senti na Europa (risos). Movimento, as pessoas, a maneira como tratavam os jogadores. Eu estive na Áustria uma vez em pré-temporada com o Olympiacos (Grécia), CT maravilhoso, e me perguntaram se já tinha ido lá. Hoje inglês é uma língua universal, acaba comunicando com o mundo. Passei para eles que é um clube histórico, onde passaram grandes jogadores e saíram muitos convocados naquela época. Hoje temos o Jefferson, que está machucado e está voltando. Há um tempo atrás era um dos maiores clubes do mundo em tradição. Eles acharam interessante.


O que falta para o Dudu Cearense brilhar no Botafogo?


A maturidade quando chega, cara, você fica mais tranquilo. Antigamente eu pensava na sequência: "Vou arrebentar, no próximo jogo não sei o quê". Com a maturidade você fica mais zen, até porque não adianta sofrer por antecipação. O jogo é só domingo, então procuro viver cada dia no trabalho, em casa com a minha família, esposa, filhas... Procuro viver a cada dia, hoje para mim é o mais importante, amanhã não sei.


Fonte: GE/Por Thiago Lima/Rio de Janeiro