sábado, 12 de novembro de 2016

Por foco na Libertadores, Bota adota silêncio, mas age para se reforçar


Para não atrapalhar a concentração do time nas últimas quatro rodadas do Brasileiro, clube evita falar em reforços e renovações, mas já iniciou planejamento para 2017



Roger é o único reforço para 2017 confirmado
 (Foto: Fabio Leoni/ PontePress)
O segredo é a alma do negócio, mas é a vaga na Libertadores que faz o Botafogo evitar falar sobre o planejamento para 2017. O clube se movimenta no mercado, negocia renovações, mas a ordem em General Severiano, por ora, é não comentar sobre contratações. Tudo para não tirar o foco da equipe na reta final do Campeonato Brasileiro.


Há três semanas, o vice presidente de futebol, Cacá Azeredo, comentou, em entrevista à Rádio Globo, que o Botafogo iria trazer "jogadores cascudos" para a possível disputa da Libertadores. Internamente, a declaração foi considerada inoportuna, uma vez que o time vive momentos decisivos no Campeonato Brasileiro. Em reunião com o técnico Jair Ventura, a direção começou a traçar o planejamento para 2017, mas foi definido que o clube não se pronunciará sobre reforços até o fim da competição.


O que não quer dizer, no entanto, que o Botafogo não esteja agindo. Roger, da Ponte Preta, já assinou pré-contrato. O setor ofensivo, aliás, é prioridade. Com a indefinição sobre o futuro de Neilton - emprestado até dezembro - e a possível saída de Sassá - alvo de São Paulo e Cruzeiro -, o clube busca atacantes. Valorizado no Vitória, Marinho está na mira. Houve proposta por Keno, mas o jogador acertou com o Palmeiras. Para ajudar Camilo na criação, o Alvinegro abriu negociação por João Paulo, do Santa Cruz.

Apesar da blindagem ao elenco, é impossível não pensar no futuro. A quatro jogos do fim da temporada, alguns destaques da equipe ficam sem contrato em dezembro. Casos, por exemplo, de Sidão, Alemão, Victor Luís, Diogo Barbosa e Neilton. Os dois primeiros têm renovações encaminhadas, mas Diogo Barbosa dificilmente fica. O Cruzeiro é o provável destino do lateral, que vem atuando como meia nos últimos jogos. 

Marinho e João Paulo despertaram interesse do Botafogo (Foto: GloboEsporte.com)


Maior investimento

Certo é que o Botafogo projeta uma receita diferente para a próxima temporada. Ao contrário desse ano, quando contratou 11 jogadores somente em janeiro, o clube vai priorizar qualidade e não quantidade. Com mais bala na agulha para contratar, o departamento de futebol busca jogadores experientes, que possam dar peso à equipe na Libertadores.

O orçamento para 2017 ainda não foi fechado, mas é fato que a folha de pagamento - hoje na casa de R$ 3,5 milhões - será maior. Nos últimos meses já começou a entrar dinheiro nos cofres do clube: cotas de televisão; R$ 9 milhões da venda à vista de Ribamar para o TSV Munique 1860, da Alemanha; R$ 7,3 milhões da segunda parcela da venda de Dória para o Olympique de Marseille, da França; R$ 1,4 milhão da "Caixa Econômica Federal" que será pago até janeiro, fora os R$ 12 milhões do patrocínio para o ano que vem; R$ 5 milhões do Comitê Olímpico da Áustria pelo aluguel de General Severiano, e R$ 500 mil pelo show do grupo americano Guns N`Roses, além de variáveis em bares e estacionamento, por exemplo. Além, é claro, do alívio na folha que a saída de alguns jogadores, como Salgueiro e Lizio, trará.


Na últimos semanas, muitos nomes foram oferecidos. Capitão e destaque do Avaí, o zagueiro Betão, ex-Corinthians, entrou no radar, teve o nome levado para o departamento de análise de desempenho, mas as conversas, por ora, não foram adiante.


Fonte: GE/Por Marcelo Baltar e Thiago LimaRio de Janeiro