terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

“Sobrevivente”, Mattos completa 31 e vira referência: “Quero fazer história”



Há quase cinco anos no Botafogo, aniversariante divide com Jefferson a missão de liderar o elenco e afirma que ficou pelo desafio de levar o clube de volta à elite




Marcelo Mattos é muito identificado com o Bota
(Foto: Thiago Lima)
Fim de treino nesta segunda. Como quem não quer incomodar, Marcelo Mattos caminha meio sem jeito em direção ao ex-jogador Alemão, destaque do Botafogo na década de 80. Apresentado, Mattos troca algumas palavras e pede para posar para foto com o ex-volante da Seleção, hoje coordenador-técnico do São Cristóvão.

- É a primeira oportunidade que tenho de conhecer o Alemão. Já tinha assistido a vídeos dele. Era um volante de muita qualidade. É um espelho para mim – elogiou o camisa 5 do Botafogo.

A reverência ao ídolo do passado e o fato de ter sido o único jogador a procurar Alemão são apenas alguns exemplos da identificação de Marcelo Mattos com o Botafogo. Há quase cinco anos no Glorioso, o volante, que só fica atrás de Jefferson em número de jogos pelo clube, se tornou uma referência em um elenco jovem e repleto de caras novas. Com 31 anos completados nesta terça-feira, o jogador não foge da responsabilidade de ser um dos líderes dentro do elenco.

- Estou ficando um pouco mais experiente, né (risos)? Fico feliz por completar 31 anos e poder participar desse momento do Botafogo, de reestruturação, em busca de voltar à primeira divisão. Eu e Jefferson somos dois dos mais velhos do elenco e espero contribuir muito dentro e fora de campo. Também me sinto uma referência. Quando o Jefferson decretou que ficaria no Botafogo, fiquei muito feliz, já que ele é um jogador para dividir comigo essa responsabilidade de ajudar os mais jovens e também a comissão técnica. Temos muita participação nisso. Temos que ajudar porque conhecemos muito bem o Botafogo. Sou um dos jogadores com mais jogos pelo Botafogo, mas quero fazer muito mais pelo clube. Quero entrar para a história por colocar esse time de volta na primeira divisão.

Experiência essa que foi testada na vitória sobre o Bonsucesso, no último sábado, no Engenhão. No último lance do primeiro tempo, um carrinho de Cristiano em Bill esquentou o clima entre os jogadores, especialmente Marcelo Mattos e Miguel. Os dois ficaram se encarando, e o volante alvinegro mordeu a língua ao mesmo tempo que a mostrava para o adversário. Um truque aprendido em família para se controlar. Ele acha que se fosse alguém mais jovem, teria caído na pilha do atacante rival e poderia ter sido expulso.

- É de família (risos). A minha esposa e o meu filho fazem isso quando ficam nervosos. Para não dar um sopapo no adversário, é melhor morder a língua (gargalhadas). Esse é o jeito que arrumei para me controlar. 




Dos 11 titulares que iniciaram a partida contra o Bonsucesso, no último sábado, apenas Marcelo Mattos e Jefferson estavam no clube no ano passado. Os dois foram dos poucos que se salvaram da desastrosa campanha que rebaixou o Alvinegro. O volante, porém, pouco pôde ajudar. Por conta de uma cirurgia na região pubiana, ele ficou fora de praticamente todo o Campeonato Brasileiro, passou cerca de seis meses sem atuar e disputou apenas cinco jogos, já que seu processo de recuperação foi adiado por conta de problemas durante a cicatrização. De longe, Mattos sofreu com a situação.

- Foi um ano muito difícil para mim e para o clube. Esperava ter jogado mais, mas infelizmente tive o problema da cirurgia. Não foi nem a lesão, mas a cirurgia que me complicou. Só participei dos cinco jogos finais. Mas todos que estiveram aqui no ano passado deram o máximo. Independentemente dos salários atrasos e dos problemas fora de campo, todos foram profissionais até o ultimo jogo. Não deu para permanecer na primeira divisão, mas ninguém queria cair.

Agora um novo desafio apareceu na minha vida, que é a oportunidade de fazer história no Botafogo e voltar para a Série A. Por isso fiquei. Vamos ter dificuldades, mas quero ver se sou capaz de superar esses obstáculos. Tenho certeza que sim.
Marcelo Mattos

Com a queda para a Série B sacramentada, houve uma debanda do Botafogo. Muitos jogadores abandonaram o barco, e alguns, inclusive, procuraram a Justiça em busca de rescisão por conta dos salários atrasados. Marcelo Mattos revelou que teve propostas, mas decidiu ficar. Segundo ele, para fazer história no Botafogo.

- Tive propostas, mas vi que as pessoas que chegaram são sérias. Escolhi ficar. Quando saí novinho de casa, tinha o objetivo de ser jogador e jogar em um clube grande. Agora um novo desafio apareceu na minha vida, que é a oportunidade de fazer história no Botafogo e voltar para a Série A. Por isso fiquei. Vamos ter dificuldades, mas quero ver se sou capaz de superar esses obstáculos. Tenho certeza que sim.

Marcelo Mattos posa com Alemão, ex-jogador do Botafogo e hoje coordenador do São Cristóvão (Foto: Thiago Lima)

Totalmente recuperado e tendo passado sem qualquer problema físico pela intensa pré-temporada, Marcelo Mattos vislumbra um ano completamente diferente, repleto de alegrias. Tanto para ele quanto para o Botafogo.

- Será um ano de alegria. Estou muito feliz por voltar a jogar sem dor, que era o que mais me incomodava. Hoje posso acordar e vir trabalhar só para treinar. Não preciso passar no departamento médico. Tudo mudou. Nova comissão técnica, novos jogadores. É um ambiente de alegria, com muitos jovens. É claro que em certos momentos você tem que controlar isso. Mas é um momento alegre do Botafogo.

Confira outros trechos da entrevista

Referência para os mais jovens

Procuro conversar durante os treinos, concentração. Gosto de conversar com os mais jovens. Falo muito com o Fernandes, que é meu companheiro de quarto agora. É um jogador que certamente tem um grande futuro no Botafogo. Procuro sempre aconselhar, falo muito com o Gegê também. Tento passar tranquilidade para que eles possam controlar a ansiedade. Eles querem que as coisas aconteçam muito rapidamente. Mas tem que ter paciência e trabalhar.

Nova diretoria

As coisas já estão trilhando um caminho. Entrou uma diretoria séria, que está fazendo um bom trabalho. Estamos vendo que as coisas estão mudando. É claro que não vai mudar tudo de uma hora para outra. Sabemos das dificuldades.

Torcida

É claro que pesou na decisão de ficar. Tenho um momento com a torcida que ficou marcado. Foi em 2011, quando havia encerrado meu contrato de empréstimo, e eu teria de voltar para o Panathinaikos, na Grécia. Foi um jogo contra o Grêmio. A torcida gritou meu nome e pediu para eu ficar. Foi um momento marcante.

Time

Tenho certeza que podemos brigar por títulos. Chegaram jogadores que foram escolhidos a dedo. Alguns são até desconhecidos do torcedor, mas todos já mostraram muita qualidade. Vamos brigar pelo título do Carioca e, com o apoio da torcida, vamos superar as dificuldades da Série B.

Por Marcelo Baltar e Thiago de Lima Rio de Janeiro/GE