sexta-feira, 24 de abril de 2015

Gols e raça: Gilberto e Bill driblam desconfiança e viram protagonistas


Atacantes deixam os badalados Fred e Marcelo Cirino para trás, ganham moral com os torcedores e começam a decidir o título do Carioca neste domingo, no Maracanã



Eles não tem a fama de Fred, do Fluminense, e nem chegaram sob os holofotes de Marcelo Cirino, do Flamengo. Mas Gilberto e Bill têm muito o que comemorar nos primeiros meses de 2015. Com gols, raça e muita superação, a dupla driblou a desconfiança dos torcedores de Vasco e Botafogo para virar protagonista na decisão do Campeonato Carioca. O primeiro embate será no domingo, às 16h (de Brasília), no Maracanã.

Gilbeto e Bill roubaram a cena no Carioca e viraram os protagonistas da final (Foto: Montagem sobre foto de Divulgação)
No confronto pela Taça Guanabara, tudo igual no placar: 1 a 1. Melhor para Gilberto, autor do gol do Vasco (veja no vídeo abaixo). Foi um de seus oito em 11 jogos no estadual. Um desempenho que o fez cair nas graças dos cruz-maltinos em pouco tempo. Com o estilo de nunca desistir das jogadas, o camisa 9 não sossegou enquanto não conseguiu concretizar sua transferência por empréstimo para São Januário. Depois de uma temporada no Toronto FC, do Canadá, estava com saudade das grandes partidas, da emoção de fazer o gol decisivo e comemorar com a galera. Como a que sentiu diante do Flamengo no último domingo.

- Eu sentia falta desse calor da torcida. A liga dos Estados Unidos (MLS, que conta com clubes canadenses) está evoluindo, mas o futebol não é o esporte preferido por lá. Eu também tinha meus objetivos de crescer mais e mais. E isso o Vasco me proporciona. É difícil descrever o que eu senti na hora do gol contra o Flamengo. Foi muito emocionante. Estou feliz, me sentindo em casa - resumi Gilberto.



Depois de uma campanha irregular na Série B do Campeonato Brasileiro de 2014 (subiu em terceiro lugar), o Vasco reformulou seu elenco. O retorno à elite, aliado à eleição do presidente Eurico Miranda, trouxeram muitas mudanças para São Januário. Com uma política econômica mais conservadora, a diretoria abriu mão de jogadores com alto salários e estipulou um teto de R$ 150 mil para os novos contratados. A aposta no técnico Doriva foi uma das iniciativas.

- O nosso segredo é que não temos um cara que resolve. Nosso grupo é o cara. Por isso espero que a torcida pare de pegar no pé de um ou outro. Precisamos de todos - pediu Gilberto.

Situação parecida com a do Botafogo. Rebaixado para a Série B do Brasileirão no ano passado, o Alvinegro reconstruiu seu elenco. Um dos jogadores que chegou para somar foi justamente Bill. Depois de se destacar no Ceará, o atacante precisou driblar a desconfiança dos torcedores alvinegros em sua primeira passagem pelo futebol carioca. Já tem seis gols no estadual. Mas a situação que mais lhe marcou no torneio foi a superação na classificação sobre o Fluminense, justamente quando balançou a rede pela primeira vez em clássicos do Carioca (veja no vídeo abaixo). Depois de sofrer uma entorse no tornozelo esquerdo no segundo tempo, precisou ficar em campo até o fim - René já tinha feito as três substituições. Não só ajudou, como ainda bateu e converteu sua cobrança na decisão por pênaltis.

- Calamos a boca dos críticos que falaram que os jogadores que estavam chegando ao Botafogo eram indigentes, que o Botafogo não tinha feito contratações perfeitas. É claro que os reforços não são perfeitos, mas quem está aqui está ajudando, trabalhando e mostrando muito empenhado em busca do título. O Botafogo está de parabéns por contratar esses jogadores. Todos sabem a qualidade do grupo que está aqui - desabafou.




No domingo, Gilberto e Bill estarão frente a frente outra vez. Após driblarem as desconfianças dos torcedores com gols e raça, os atacantes sonham com título carioca. Quem leva a melhor?

- Deixa ele vender o peixe dele lá, que eu vendo o meu aqui - encerrou Bill.

Por Edgard Maciel de Sá e Marcelo Baltar Rio de Janeiro/GE