terça-feira, 30 de junho de 2015

Dedo em riste, hostilidades e abalo psicológico decretam saída de Bill


Desconforto de atacante com ambiente vivido junto à torcida vai ao encontro de insatisfação do Botafogo com suas atuações




Bill contra o Macaé, no último sábado: jogo de
despedida do Botafogo (Foto: Vitor Silva/SSPress)
"Rapaziada, obrigado por tudo. Depois passo aí pra dar um abraço nos amigos". Foram exatamente estas as palavras usadas por Bill, em mensagem por meio do aplicativo Whatsapp, para aviso aos jogadores do Botafogo que ele deixava o clube. O comunicado, enviado às 12:36 da última segunda-feira ao grupo do departamento de futebol, pegou os jogadores de surpresa. Apenas quando chegaram ao Estádio Nilton Santos poucas horas depois eles tiveram a confirmação de que o centroavante dava adeus.

Bill deixou o campo aos 18 minutos do segundo tempo na derrota por 4 a 2 para o Macaé. Após observar o restante da partida do banco de reservas, foi hostilizado ao se dirigir ao vestiário do Estádio Cláudio Moacyr. O atacante explodiu e, com dedo em riste, fez um gesto obsceno da direção do público que o hostilizava. Estava praticamente selada ali a sua saída do Botafogo após quase seis meses de clube.

No último domingo, dia de folga dos jogadores, Bill iniciou os contatos com a diretoria do Botafogo para falar sobre seu futuro. Por meio de mensagens e telefonemas com dirigentes, admitiu estar sem conseguir se concentrar no trabalho por conta dos problemas vividos fora dele. Atualmente enfrenta uma batalha judicial com sua ex-mulher - com quem tem dois filhos -, que o processa por falta de pagamento da pensão alimentícia, além de acusá-lo de ameaças de agressão. Também manifestou aos dirigentes o desconforto com as hostilidades que vinha sofrendo nas partidas do Alvinegro, principalmente em casa.

Em uma reunião na manhã da última segunda-feira, as duas partes selaram o acordo para a rescisão de contrato, prevista para ser assinada nesta quarta-feira. Na ocasião, Bill pediu a liberação dos treinos para resolver questões particulares. O atacante também alegou ter uma proposta do exterior, mas o Botafogo por enquanto não tem conhecimento dessa suposta oferta.

Após ouvir os argumentos de Bill, o Botafogo não se opôs à liberação. Dirigentes e integrantes da comissão técnica já se mostravam insatisfeitos com o rendimento do atacante e também se diziam contrariados com seu comportamento perante à torcida em Macaé. Por conta do mau rendimento técnico do jogador, o clube já vinha buscando outras opções no mercado e recentemente contratou Rafael Oliveira.

Na cúpula alvinegra há até quem defenda a escalação imediata de Luis Henrique, artilheiro do time sub-17, que, na última segunda-feira, fez seu primeiro treino com os profissionais. No entanto, a comissão técnica está reticente por lançar o jovem, temendo queimar etapas. Outros argumentam que o apoio da torcida poderia fortalecer o atacante. Por enquanto, René Simões tem como opções para o jogo contra o Sampaio Corrêa, nesta sexta-feira, Vinicius Tanque, outra prata da casa, de 20 anos, Sassá - que se recupera de lesão muscular - e Henrique - jogador que o Botafogo tenta negociar por ter um salário acima do teto estabelecido pelo Botafogo.

Rafael Oliveira ainda não assinou contrato e, por isso, segue sem condição de jogo. Sua participação contra o Sampaio Corrêa vai depender de sua inscrição na CBF. Caso isso ocorra até a véspera da partida, é o mais cotado para vestir a camisa 9 do Botafogo.

Bill deixa o Botafogo muito longe de cumprir a meta de 30 gols na temporada. Ele disputou 28 jogos com a camisa alvinegra e marcou 11 gols, sendo que somente dois em nove jogos pela Série B. O atacante já completava três rodadas, ou quase um mês, de jejum.


Por Gustavo RotsteinRio de Janeiro/GE