terça-feira, 17 de maio de 2016

Corte da Seleção, falha na final e lesão: Jefferson vive "inferno astral" em 2016



Problemas dentro e fora de campo ofuscam boas atuações no Carioca, e goleiro, com contusão grave no braço, para por três meses e tem primeiro semestre para esquecer




Definitivamente, 2016 não começou bem para Jefferson. Se nos últimos anos o goleiro veio tendo motivos para comemorar - foi campeão Carioca em 2010; estreou pela Seleção em 2011; em 2012 ganhou a braçadeira de capitão do Brasil; voltou a conquistar o estadual em 2013; foi campeão do Superclássico das Américas defendendo pênalti de Messi em 2014 e entrou para o Top 10 dos jogadores que mais atuaram pelo Botafogo em 2015 -, o primeiro semestre desta temporada vem sendo como um "inferno astral" para o ídolo alvinegro. Não que ele esteja em má fase. Pelo contrário, foi um dos principais responsáveis por levar um time recheado de garotos à final do torneio regional, mas problemas pontuais dentro e fora de campo ofuscaram até isso.


Jefferson vinha sendo convocado pela Seleção desde 2010, mas perdeu espaço com Dunga (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)


O momento negativo iniciou no dia 3 de março, quando o goleiro, que vinha sendo convocado desde 2010, foi cortado da seleção brasileira nos primeiros jogos desse ano das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. O motivo? Segundo o correspondente da BBC na América Latina, Tim Vickery, foi a declaração de Jefferson ao programa "Bem, Amigos!", do SporTV, em 23 de novembro, quando, ao comentar sobre sua barração da partida contra a Venezuela, afirmou que a comissão técnica "poderia ter lhe dado um pouco mais de crédito". O abatimento foi inevitável, mas pela experiência de 33 anos, aprendeu a lidar com essas situações sem demonstrar desânimo publicamente. Foi abraçado no Botafogo e tentou levantar a cabeça.

Jefferson saiu mal e acabou sofrendo gol de cabeça do baixinho Jorge Henrique na final do Carioca (Foto: André Durão)


Em suas entrevistas, Jefferson dizia que ainda não havia desistido da Seleção, mas a ficha caiu depois de ficar fora da pré-lista para a Copa América, no fim de abril. Dias depois, em entrevista coletiva, disse ter "mudado a chave" e que sua seleção era o Botafogo. Problema é que junto a isso aconteceu algo incomum para o goleiro: uma falha em campo que custou a derrota para o Vasco por 1 a 0, no primeiro jogo da final do Carioca - na partida seguinte, o empate por 1 a 1 deu o título estadual para o rival. Ele saiu do gol para tentar cortar um cruzamento muito aberto, não chegou a tempo e acabou surpreendido pela cabeçada do baixinho Jorge Henrique. No pós-jogo, alegou que "não tinha como voltar atrás" e reconheceu o erro.


No dia seguinte ao jogo em que se machucou, Jefferson voltou ao Rio de Janeiro com tipoia no braço (Foto: Thiago Lima)

Jefferson se mostrou triste pelas críticas, mas entendeu e "virou a página". O foco era tentar se redimir no segundo jogo da final, mas não conseguiu. Para piorar, a ideia de apagar a falha com boas atuações caiu por terra logo na primeira partida pós-Carioca. Ao enfrentar o Juazeirense, em Juazeiro (BA), sentiu dores no braço esquerdo e pediu para sair, em uma tentativa de evitar forçar o músculo e sofrer uma lesão. Já era tarde. O exame de imagem revelou uma ruptura parcial do tendão do tríceps, e ele precisará ser operado na noite desta terça-feira. A previsão de recuperação, segundo o coordenador do departamento médico do Botafogo, Luiz Fernando Medeiros, é de três meses, o que o fará perder todo o primeiro turno do Campeonato Brasileiro.


Além de ser considerada grave, a lesão de Jefferson é incomum. Mas ele teve essa má sorte. A cirurgia em que será submetido na noite desta terça consiste em reconstruir o tendão retirando enxerto do joelho, de modo a prevenir que a sutura que será feita fique mais resistente aos movimentos após a recuperação. O goleiro ficará seis semanas com o braço imobilizado com tipoia e só depois disso iniciará as sessões de fisioterapia. Com o primeiro semestre perdido, o ídolo alvinegro espera que o segundo lhe seja mais agradável, como foram os últimos anos.


Fonte: GE/Por Marcelo Baltar e Thiago Lima/Rio de Janeiro