segunda-feira, 6 de junho de 2016

Do quase título no Carioca à lanterna do Brasileirão em quatro explicações


Time desfigurado com DM cheio; troca de esquema tático com três volantes; baixo rendimento da maioria dos reforços; e substituto de Jefferson ainda não encontrado





A torcida do Botafogo chegou a se empolgar no Campeonato Carioca. Com o time encaixado, escalações repetidas, defesa forte e a garotada mostrando serviço, o clube chegou à final e quase tirou o título do Vasco. Mas um mês depois, o mesmo Alvinegro caiu para a lanterna do Campeonato Brasileiro após seis rodadas. Há quem já dê, principalmente entre torcedores rivais, a equipe de Ricardo Gomes como uma das quatro rebaixadas no final do ano. Porém, ainda é muito cedo para tal afirmação, até porque ainda há reforços para estrear e recuperação de jogadores importantes ao longo da competição. Enquanto esse momento não chega, o GloboEsporte.com levantou quatro motivos que explicam a queda de rendimento em 30 dias.


DM CHEIO

Airton está fora da equipe desde o início de abril e deve voltar ao time contra o Vitória (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

A primeira e mais óbvia explicação é a bruxa solta. Basta olhar para o departamento médico cheio. São 10 jogadores lesionados em cinco meses, média de dois a cada 30 dias. Foram eles: Jefferson, Airton, Diogo Barbosa, Carli, Fernandes, Luis Ricardo, Emerson, Neilton, Octávio e Rodrigo Lindoso. Sete deles eram titulares quando se machucaram. Dessa turma, Fernandes, Emerson, Neilton e Octávio já se recuperaram e ficaram à disposição de Ricardo Gomes. Airton e Diogo Barbosa, por sua vez, devem voltar ao time na próxima rodada. Mas as ausências deixaram a equipe muito desfigurada neste início de Campeonato Brasileiro.



ADEUS 3 VOLANTES

Daqui não passa: formação tática com três volantes fechou a casinha no Carioca (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)


Além da garotada em alta, muito do sucesso do Botafogo no estadual poder ser explicado com a formação tática. Após um início de campeonato com vitórias nada convincentes, Ricardo achou a melhor forma de jogar quando apostou em três volantes: a linha formada por Airton, Bruno Silva e Lindoso proporcionou uma forte proteção à zaga, que terminou como a menos vazada do Carioca ao lado do Vasco. E Gegê, que era o meia titular, ajudava muito a defesa, virando uma espécie de segundo lateral-esquerdo. A prioridade era marcar para só depois pensar em atacar. Na Copa do Brasil e no Brasileiro, também em função das lesões, o treinador passou a usar dois meias e dois volantes, deixando o time mais ofensivo, e consequentemente mais exposto.


38,4% DOS REFORÇOS

Geovane Maranhão (esq.) sequer estreou, e Marquinho (dir.) foi pouco utilizado (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)


O Botafogo reformulou o elenco para 2016, e na primeira leva de reforços contratou sete: Lizio, Gervasio "Yaca" Núñez, Bruno Silva, Salgueiro, Carli, Diogo Barbosa e Emerson Silva. Na segunda leva, para o Brasileiro, foram mais nove: Victor Luís, Anderson Aquino, Marquinho, Dudu Cearense, Sidão, Geovane Maranhão, Canales, Pimpão e Camilo. Sem contar os três últimos, que só poderão ser regularizados após o dia 20 por causa da janela de transferências internacional, o Alvinegro tem 13 reforços à disposição. Deste número, apenas cinco se firmaram como titulares da equipe: Carli, Diogo Barbosa, Bruno Silva, Emerson Silva e Victor Luís (os dois últimos após lesões de quem vinha jogando). O que dá um aproveitamento de apenas 38,4%. Nomes como Geovane Maranhão e Sidão sequer estrearam na equipe.


CAMISA 1: HÁ VAGA
Helton Leite voltou a ser criticado pelo segundo gol sofrido diante do Santos no Pacaembu (Foto: Marcos Ribolli)

Por fim, mas não menos importante, é encontrar um substituto para Jefferson. O Botafogo ainda não conseguiu achar o dono da camisa 1 enquanto o titular ficará todo o primeiro turno do Brasileirão afastado para se recuperar de uma cirurgia no braço esquerdo. Helton Leite foi o escolhido por Ricardo Gomes para a árdua tarefa de suceder o ídolo alvinegro. Em oito jogos, sete jogando desde o início, o goleiro foi criticado por gols sofridos diante do Juazeirense (Copa do Brasil), São Paulo, Sport, Cruzeiro e Santos. Talvez Sidão, de 33 anos e contratado junto ao Audax-SP, ganhe oportunidades nas próximas rodadas, mas a missão não é fácil para ninguém.


Fonte: GE/Por Thiago Lima/Rio de Janeiro