sexta-feira, 27 de março de 2015

Displicência de Bill e prêmio milionário acendem pavio curto de vice alvinegro


Após empate, técnico René Simões proibiu reclamação de Mantuano no vestiário. Verba de R$ 1 milhão por título da Taça GB é vista como fundamental pelo Botafogo



O árbitro já havia apitado o fim da partida há quase 10 minutos, mas Antônio Carlos Mantuano ainda permanecia no camarote destinado à diretoria do Botafogo no Estádio Raulino de Oliveira. Inconformado com o pênalti perdido por Bill e com o empate em 1 a 1 com o Barra Mansa, o vice de futebol tentava esfriar a cabeça antes de se juntar ao restante da delegação. Mas ao descer para o vestiário, não conseguiu conter seu ímpeto e protagonizou uma situação tensa diante de jogadores e comissão técnica na noite da última quarta-feira. O dirigente precisou ser retirado do local, ainda esbravejando, numa atitude que diz muito sobre o lado torcedor, mas também explicada pela função de gestor em tempos de grave crise financeira.

Ao entrar no vestiário, Mantuano - conhecido por seu temperamento explosivo - reclamou muito da displicência de Bill, que desperdiçou um pênalti e ainda perdeu uma clara chance de gol pouco depois, em lances que poderiam ter dado a vitória ao Botafogo. Mas antes que pudesse ser iniciada uma discussão, o técnico René Simões interveio:

- Aqui no vestiário quem comanda sou eu. Se você quiser conversar comigo sobre o que aconteceu, depois nos falamos lá fora. Se você quiser falar com os jogadores, marque uma reunião com eles durante a semana. Mas aqui, de cabeça quente, você não vai fazer nada.

Logo em seguida, o vice de futebol foi retirado do vestiário pelo diretor de futebol Antônio Lopes e por um segurança do Botafogo. Já do lado de fora, falou quase todo o tempo ao telefone, e as palavras facilmente ouvidas:

- Isso é inadmissível. Ele não pode mais jogar pelo Botafogo - disse Mantuano, sem que fosse possível identificar a quem se referia.

O impacto do empate com o Barra Mansa foi minimizado pelos demais resultados da 12ª rodada. Apesar do tropeço, o Botafogo se manteve na liderança da competição, com os mesmos 29 pontos de Flamengo e Vasco, mas superando os rivais no saldo de gols. No entanto, têm sido constantes na diretoria as conversas sobre a importância da conquista da Taça Guanabara.

Afinal, o primeiro colocado da fase de classificação do Campeonato Carioca recebe o prêmio de R$ 1 milhão. Esta verba é vista como fundamental pelo Botafogo, que enfrenta grave crise financeira e luta na Justiça para conseguir o desbloqueio de receitas. Dessa forma, os dirigentes têm ressaltado a importância de bons resultados na reta final da Taça Guanabara.

Vice de futebol do Botafogo, Mantuano é conhecido pelo
 temperamento explosivo (Foto: Gustavo Rotstein)
Ainda no vestiário do Raulino de Oliveira, elenco e comissão técnica selaram uma espécie de compromisso para que o episódio protagonizado por Mantuano fosse minimizado. A ideia é não deixar que o ocorrido em Volta Redonda tenha influência no dia a dia do grupo e, assim, que a equipe possa seguir firme na disputa pelo título estadual, a começar pelo clássico contra o Vasco, neste domingo. As declarações do zagueiro Roger Carvalho deixaram clara essa filosofia.

- Isso é coisa de vestiário. É uma cobrança natural. Existe em todos os clubes. O que saiu na imprensa já dá uma ideia do que aconteceu. O resto tem que ficar entre nós. Sabemos que poderíamos ter feito um jogo melhor. Mas todos os jogadores já estão acostumados com cobranças. A cobrança não escolhe a hora para vir. Todos estão preparados para o clássico - disse.

O vice de futebol não esteve no Estádio Nilton Santos durante o treino da última quinta-feira, quando o técnico René Simões reuniu o grupo para uma reunião que durou cerca de 30 minutos. Procurado pela reportagem do GloboEsporte.com, Antônio Carlos Mantuano não retornou as ligações.

- Depois do jogo não há muito o que fazer. Esse papo com o René foi igual ao que acontece sempre depois de todos os jogos. Nada diferente do que acontece no dia a dia. Ele nos mostrou o que erramos e o que fizemos certo. Já sabemos no que precisamos melhorar - explicou Roger Carvalho.


Por Gustavo Rotstein e Marcelo Baltar Rio de Janeiro/GE