quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Obras no Engenhão: festa para quem sai, preocupação para quem fica


Teto remendado e canos corroídos são alguns dos aspectos que chamam atenção de quem transita pelo Estádio Nilton Santos em fase final das intervenções




Mesas arrumadas e balões na última quinta para celebrar
 fim das obras do Engenhão (Foto: Gustavo Rotstein)
Na tarde da última quinta-feira, um churrasco ao lado do campo anexo reuniu membros da Prefeitura do Rio de Janeiro e integrantes do Consórcio para celebrar o fim das obras do Engenhão. Mas para aqueles que ficarão quando todas as forças de trabalho forem desmobilizadas, não haverá muitos motivos para comemoração. Aqueles que vivem o dia a dia do Estádio Nilton Santos, principalmente funcionários do Botafogo, se mostram preocupados com a herança que será deixada. Nem mesmo os dois anos e meio de intervenções na cobertura não foram suficientes para agradar os que observam tudo diariamente.


Uma volta no estádio mostra que ainda há muito a ser feito. Não apenas no que se refere aos tratores e guindastes que ocupam o local. Mas aqueles que trabalham no estádio mostram-se preocupados com o que dizem ser “remendos” facilmente visíveis na parte interna da cobertura. Nos corredores, canos de água potável corroídos e infiltrações nas paredes também são evidentes. Ferros de contenção instalados durante a obra foram retirados, mas ficaram danos nas estruturas. Algumas cadeiras da arquibancada receberam respingos de tinta que não conseguiram ser retirados pela limpeza. Cada assento custa R$ 127. No pátio interno, o chão foi danificado pelo constante trânsito de veículos pesados.

Além de esteticamente ruins, "remendos" na parte interna da cobertura preocupam quem observa o Engenhão (Foto: Gustavo Rotstein)
Uma reclamação ouvida constantemente nos corredores do estádio está relacionada à mudança no quadro de energia, feita como parte da adaptação à alta demanda das Olimpíadas. Funcionários que trabalham no estádio alegam que a intervenção não foi feita da maneira correta e, para consertar, o Botafogo precisou gastar R$ 15 mil.

Mosaico Engenhão Obras
(Foto: Gustavo Rotstein)
O estádio ainda conta com seis das 34 torres de escoramento inicialmente instaladas. Elas vêm sendo retiradas aos poucos no que, segundo a Prefeitura, é a última intervenção da obra da cobertura. Paralelamente, há a obra de adequação olímpica, que vai seguir no Engenhão e tem como principal atividade a troca da pista de atletismo. De acordo com a RioUrbe (Empresa Municipal de Urbanização), a manutenção de canos, por exemplo, deve ficar a cargo do Botafogo, que desde 2007 tem a concessão da Prefeitura para administrar o local. Além disso, o Município alega que o clube recentemente recebeu uma verba (cerca de R$ 3 milhões) que tem como uma das finalidades ajudar nas despesas de manutenção.


Aqueles que trabalham no Estádio Nilton Santos preferem não falar abertamente, mas não escondem a insatisfação com o estado do local, mesmo com as obras perto de acabar. O Botafogo, que em dezembro deve entregar o Engenhão para o Comitê Olímpico Internacional, prefere inicialmente se resguardar, mas contesta o papel de cada uma das partes na relação.


- Se alguém constrói sua casa, coloca nela um cano vagabundo e ele estoura, a culpa é de quem construiu ou do dono da casa? Além disso, a verba que o clube recebeu não é para ser gasta em manutenção. Trata-se de reembolso de, por exemplo, pagamento de conta de luz e água, que, aliás, são usados por quem faz a obra. Não existe ajuda de custo, é reembolso - disse um integrante da diretoria que preferiu não se identificar.


Quando receber o estádio de volta, após as Olimpíadas do ano que vem, o Botafogo tem a confiança de vai contar com o aparelho finalmente pronto para ser explorado comercialmente da maneira ideal. Até lá, entretanto, o Nilton Santos que se apresenta parece, mesmo após mais de dois anos de obra, estar bem longe do ideal daquele que será a principal sede dos Jogos do Rio.

Por Gustavo Rotstein Rio de Janeiro/GE