segunda-feira, 4 de maio de 2015

Botafogo agora só joga no Engenhão


Presidente reclama das altas taxas do Maracanã. Finalistas ficaram com menos da metade da renda de domingo




Jogadores do Botafogo comemoram gol no Engenhão - Marcelo Carnaval / Agência O Globo

O vice-campeonato não é a única lembrança ruim que o Botafogo leva da decisão do Carioca, domingo. Insatisfeito com o custo de utilização do Maracanã, o clube não pensa em voltar a atuar no estádio este ano, segundo afirmou, nesta segunda, o presidente alvinegro, Carlos Eduardo Pereira.

— Todos os jogos do Botafogo na Série B e na Copa do Brasil serão no Nilton Santos (Engenhão). Mesmo os jogos com maior apelo de público.

Por causa das obras na cobertura, o estádio ainda não pode receber sua capacidade total (45 mil lugares). No único clássico disputado no Nilton Santos no Carioca, a segunda semifinal entre Botafogo e Fluminense, a carga foi de 22 mil ingressos.

Domingo, apesar da renda de R$ 3.286.580,00 proporcionada pelos 58.446 pagantes, a cota destinada a cada um dos finalistas foi de R$ 771.557,93 (23,5% do total arrecadado). Ou seja, Vasco e Botafogo, juntos, ficaram com menos da metade da renda bruta. Somente o aluguel do Maracanã, que varia de acordo com o público da partida, consumiu R$ 563.266,51, equivalente a um terço da despesa total apresentada no borderô da decisão (R$ 1.687.496,21).

— O Maracanã é um estádio muito dispendioso. Basta olhar o borderô para ver quantos encargos temos de pagar. Quem quiser que jogue lá, mas ninguém é obrigado a mandar as partidas no Maracanã — disse o presidente alvinegro.

A final também ficou marcada por derrame de quase 200 ingressos falsos. A concessionária que administra o estádio rechaçou as acusações de torcedores que disseram ter comprado os bilhetes nos postos oficiais: “A alegação de aquisição de ingressos falsos nas bilheterias oficiais do Maracanã é leviana, irresponsável e não procede. A concessionária possui recursos para saber o local e o horário onde os ingressos foram comprados”.


POR ALLAN CALDAS E VICTOR COSTA/O Globo