terça-feira, 23 de junho de 2015

Velocidade, leitura e dribles: Botafogo busca receita para superar retrancas


Líder da Série B do Campeonato Brasileiro, time carioca vem encontrando dificuldades para perfurar defesas bem postadas e adversários cautelosos




Seja no Estádio Nilton Santos ou fora do Rio de Janeiro, o Botafogo vem encontrando um obstáculo comum nos últimos jogos: a retranca adversária. Líder e invicto na Série B, o Alvinegro passou a ser um time temido e, com isso, vem tendo que superar, jogo a jogo, equipes bem postadas na defesa.

As muitas vitórias magras, por exemplo, vêm sendo resultado da dificuldade que o Botafogo está encontrando com adversários cautelosos. O empate por 1 a 1 com o Boa Esporte, na última sexta-feira, no Estádio Nilton Santos, expôs a necessidade de o time encontrar uma fórmula de superar as retrancas adversárias.

- O René falou conosco. Isso vem acontecendo em todos os jogos, com os adversários sempre trancados, explorando os contra-ataques. Precisamos diversificar o nosso jogo, de um jogo para o outro. Estávamos conseguindo fazer isso, mas, infelizmente, nesse jogo não conseguimos a vitória. Mas creio que estamos no caminho certo. Independente de o adversário jogar fechado, estamos criando oportunidades de gols - disse o zagueiro Roger Carvalho. 

No treino desta segunda, René congestionou o campo para que atacantes encontrassem soluções (Foto: Marcelo Baltar)

No treino desta segunda-feira, René Simões congestionou um lado do campo e trabalhou para que seus jogadores achassem opções ofensivas, em jogadas de velocidades. Para Roger Carvalho, é preciso desmontar as defesas adversárias com rápida troca de passes e explorar os lados do campo:

Com o meio congestionado, precisamos abrir brechas pelos lados e ter uma leitura mais rápida do jogo. Quando giramos a bola, vamos abrindo espaços até chegar à faixa de conclusão".
Roger Carvalho, zagueiro do Bota

- Desde o começo da Série B, sabemos que o Botafogo é a bola da vez. Mas estamos trabalhando para vencer as retrancas. Precisamos balançar as equipes adversárias, de um lado para o outro. Com o meio congestionado, precisamos abrir brechas pelos lados e ter uma leitura mais rápida do jogo. Quando giramos a bola, vamos abrindo espaços até chegar à faixa de conclusão.


René pede mais dribles

Além da parte tática, o técnico René Simões acredita que está faltando, não só ao Botafogo, mas no futebol brasileiro em geral, mais dribles. Para ele, jogadas individuais são capazes de desmontar sistemas defensivos eficientes.

- Temos que trabalhar a bola, errar menos passes e jogar em velocidade, com diagonais e viradas de bola. Nosso gol (contra o Boa Esporte) foi marcado nessas condições. É isso que tem de fazer. Conseguimos chegar algumas vezes, mas tem que botar a bola para dentro. Era o jogo para o drible que está faltando ao futebol brasileiro. Aquele drible em que o Messi passa por dois ou três jogadores. Está faltando isso e precisa ser trabalhado para as próximas gerações - analisou o treinador, após o empate por 1 a 1 com o time mineiro, na última sexta-feira.

Dos oito jogos na Série B, apenas contra o Vitória, no Nilton Santos, pela 4ª rodada, o Botafogo teve pela frente uma equipe que saiu para o jogo. Conscientemente ou não, a exibição diante dos baianos, na vitória por 2 a 0, foi a melhor do time no campeonato, até o momento.

Por Gustavo Rotstein e Marcelo Baltar Rio de Janeiro/GE