quinta-feira, 16 de julho de 2015

Relação com Lopes, insatisfação e trocas: bastidores da queda de René


Treinador e dirigente não falavam a mesma língua, e falta de padrão de jogo foi determinante na decisão. Após sete meses, técnico deixa time na ponta da Série B



Reação antes da queda: René lamenta gol que
 tirou Bota da Copa do Brasil (Foto: André Durão)
A demissão de René Simões foi definida após a eliminação da Copa do Brasil, mas começou a ser construídas semanas antes. Os resultados em campo foram determinantes, mas se agravaram, especialmente, pela insólita relação entre o treinador e Antônio Lopes, o gerente de futebol alvi-negro. A insatisfação de parte do elenco, a insistência com alguns atletas, a indefinição em relação ao time também pesaram. A coletiva, em que o treinador elogiou a atuação diante do Figueirense (veja o gol no vídeo abaixo), foi a gota d`água.

Durante meses, René conseguiu levar o Botafogo mais longe do que o esperado. No Campeonato Carioca, com um clube em trauma pelo rebaixamento para a Série B e às voltas com uma gravíssima crise financeira, a meta era chegar às semifinais. O time foi além. Chegou à decisão contra o Vasco e, nem mesmo a derrota na final, contaminou o bom ambiente.

Nas últimas semanas, no entanto, a queda de rendimento - apenas uma vitória em seis jogos -, aliada às divergências em relação a contratações foi minando, aos poucos, a história do René no Botafogo. Uma trajetória de 38 jogos, 22 vitórias, oito empates e oito derrotas. Curiosamente, René deixa o clube na liderança da Série B.

RELAÇÃO COM LOPES
Antônio Lopes e René Simões perderam a
sintonia no Botafogo (Foto: Sofia Miranda)

René Simões e Antônio Lopes não falavam a mesma língua. Responsável por indicar a contratação do gerente de futebol, o treinador perdeu a simpatia do dirigente.

- Querem criar uma crise onde não existe. Às vezes temos pontos de vista diferente, mas é normal. Sou amigo pessoal do Lopes e da família dele - disse René, há duas semanas.

O gerente de futebol, no entanto, estava insatisfeito com René e não aprovou algumas indicações de jogadores feitas pelo treinador. Afastado há mais de um mês do elenco principal, o atacante Tássio foi uma delas. Recentemente, os dois discordaram sobre reforços. Lopes costumava dizer que René não ouvia a opinião dos outros

- Faz tudo da cabeça dele - dizia o cartola.

INSATISFAÇÃO DO ELENCO

Alguns jogadores foram pegos de surpresa e ficaram chateados com a saída do treinador. Mas não foram todos. Parte do elenco estava insatisfeita, e alguns atletas não aturavam mais as constantes trocas no time. O famoso rodízio não aprovou.

INSISTÊNCIA COM BILL E TOMAS
A diretoria não aprovava a insistência com Bill. René lamentou, mas o atacante foi liberado assim que solicitou a rescisão. Fato é que o treinador tinha poucas opções para o ataque e, desde o início da temporada, requisitava um novo centroavante.

Tomas Bastos também foi outro jogador que trouxe problemas internos a René. Contratado após uma grande temporada pelo Boa Esporte, o meia nunca correspondeu às expectativas no Botafogo. Titular contra Sampaio Corrêa, Fortaleza e Bragantino, ele não foi bem. Contra o Figueirense, Tomas foi um dos principais alvos da ira da torcida, ao lado do próprio René Simões.

Apostar no atacante Bill trouxe prejuízo a René: insatisfação da direção do Botafogo (Foto: Vitor Silva / SSpress)

INDEFINIÇÕES

Assim como parte do elenco, as indefinições na equipe titular também não agradavam a diretoria. A avaliação interna é que o time, até julho, não tem um padrão de jogo. René Simões, no entanto, não teve culpa das muitas perdas ao longo da temporada. O treinador não teve qualquer influência nas saídas de Bill, Marcelo Mattos e Jobson.

COLETIVA

A eliminação na Copa do Brasil e a derrota para o Figueirense irritaram, as vaias pesaram, mas o estopim para a queda foi a entrevista coletiva de René Simões. Após a partida, enquanto a torcida estava transtornada, o treinador elogiava a exibição do Botafogo:

- O resultado foi muito ruim, o time não, eu gostei.

Foi a senha para o fim de casamento de sete meses entre René Simões e Botafogo.

Por Gustavo Rotstein e Marcelo Baltar Rio de Janeiro/GE